O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pretende votar nesta semana a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). A vaga foi aberta nesta segunda-feira (31), quando o ministro Bruno Dantas formalizou a renúncia ao cargo que ocupava desde 2014.

Segundo interlocutores de Alcolumbre, o presidente do Senado esperava apenas a saída formal de Dantas para movimentar a indicação. A articulação reúne apoio de senadores do MDB, partido que originalmente indicou Dantas ao TCU, além do União Brasil e do PSD.

Parlamentares avaliam que o nome de Pacheco tem trânsito entre as principais bancadas da Casa.

Alcolumbre chamou de "importante para a democracia" o café da manhã que teve com Lula em 13 de agosto, no Palácio da Alvorada, encontro que reaproximou os dois depois do atrito em torno da vaga no Supremo.

Da vaga no STF ao TCU

Pacheco queria a cadeira que Lula abriu no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2026, mas o presidente escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias. Alcolumbre articulou a rejeição de Messias no Senado e, ao mesmo tempo, defendia a candidatura do próprio Pacheco ao STF.

Depois da frustração com o STF, Pacheco também cogitou disputar o governo de Minas Gerais em 2026, mas recuou da disputa. Em maio, ele disse que não tinha "nenhuma expectativa ou perspectiva de ingresso em tribunal superior, inclusive no Supremo Tribunal Federal".

Aliados do senador tratam agora a tentativa frustrada como página virada.

Dantas tem 48 anos, ocupa uma cadeira no TCU desde 2014 e presidiu a Corte em 2023 e 2024. Ele poderia permanecer no cargo por mais de duas décadas, até a aposentadoria compulsória, mas optou por sair agora para atuar na iniciativa privada.

O TCU é o órgão que fiscaliza as contas do governo federal, responsável por auditorias como a que apontou irregularidade em 82% das emendas Pix analisadas neste ano.

Assine o Resumo do dia e receba de segunda a sábado, no seu e-mail, as notícias que você não pode perder.

Sem spam — você pode cancelar quando quiser.

Uma possível indicação de Pacheco tende a esbarrar em resistência dentro do próprio Senado. Colegas do senador avaliam que ela vai reacender o debate sobre a presença feminina no TCU. Hoje, os nove ministros titulares da Corte são todos homens.

A movimentação também confirma a reconciliação entre Lula e Alcolumbre, que romperam publicamente por causa do STF e voltaram a se falar no café da manhã de agosto. O TCU vira o palco onde os dois recompõem a relação depois do desgaste.

O que acontece agora

Alcolumbre quer levar a indicação ao plenário ainda nesta semana, no esforço concentrado em que o Senado avança com o fim da escala 6x1. Interlocutores da Casa apontam quarta-feira (2/9) como data mais provável, quando a maior parte dos senadores estará em Brasília.

A pauta do Congresso nos próximos dias inclui ainda a isenção das blusinhas até US$ 50 importadas, com votação também prevista para esta semana.

Pacheco precisa ser aprovado com quórum presencial no plenário antes de tomar posse. Nem a assessoria dele nem a de Alcolumbre confirmaram detalhes do calendário à imprensa até a publicação desta matéria.