O score médio de crédito do brasileiro caiu na maioria dos estados entre abril de 2025 e abril de 2026, segundo o Mapa Score do Brasil, da Serasa. São Paulo teve a queda mais forte, de 9 pontos, enquanto o Nordeste registrou recuo de 2 pontos na mesma base de comparação.

Em São Paulo, o score médio passou de 561 para 552 pontos. No Nordeste, a média foi de 527 para 525 pontos, com o Piauí puxando a queda regional, de 6 pontos, e a Bahia como única exceção, com alta de 2 pontos.

Segundo Wesley Brandão, gerente de Score da Serasa, a queda reflete "juros elevados, o custo de vida e dificuldades para manter pagamentos em dia". Para ele, "o score é um reflexo direto dos hábitos financeiros do consumidor ao longo do tempo".

O recorte por idade mostra quem sente mais o aperto. Em São Paulo, jovens de 18 a 25 anos têm o menor score médio, 475 pontos, enquanto os maiores de 65 anos somam 613, a pontuação mais alta entre as faixas etárias.

Na Bahia, o padrão se repete: quem tem mais de 65 anos viu o score subir 8 pontos no período, de 597 para 605, enquanto adultos de 31 a 40 anos tiveram queda de 1 ponto.

O pano de fundo é o mesmo de outros indicadores de crédito do país. O Brasil soma mais de 83 milhões de consumidores negativados, segundo a própria Serasa, contingente que empurra a média nacional para baixo ano após ano.

O cenário é parecido com o que já levou o país a bater recorde de inadimplência mesmo com programas de renegociação em vigor.

Um desses programas, o Desenrola 2.0, teve o prazo de adesão esticado até este mês, diante do mesmo quadro de dívidas em atraso.

Uma pesquisa de comportamento feita pela Serasa mostra por que o número importa. Para 77% dos entrevistados, o score é o fator principal nas análises de crédito, e 48% dizem consultar a pontuação sempre que vão pedir empréstimo.

Quem sente mais o aperto

O levantamento mostra o efeito, não a causa. Os mais jovens, com menos histórico de crédito, têm a pontuação mais baixa e pagam mais caro por empréstimo e parcelamento. Enquanto os juros seguirem altos, essa faixa etária deve carregar o maior peso da conta.