O número de candidaturas a deputado federal caiu 28% nas eleições de 2026, de 10.600 para 7.600, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizados nesta sexta-feira (21). É a quinta eleição nacional sob a cláusula de barreira, que exige de cada partido 13 deputados eleitos ou 2,5% dos votos nacionais para manter acesso a fundo e tempo de TV.

O recuo se repete em quase todos os cargos. Somando candidaturas a todos os postos, o total caiu de cerca de 29 mil para 20 mil, queda de 30%. O número de partidos na disputa também encolheu, de 32 para 28.

Homens e mulheres não perderam espaço na mesma proporção. As candidaturas femininas caíram 25%, contra 30% entre os homens. Com isso, a participação de mulheres no total das candidaturas subiu de 35% para 36,6%.

Por que o número caiu tanto?

A resposta está na cláusula de desempenho, regra que pune o partido que não elege ao menos 13 deputados federais em um terço dos estados, ou não soma 2,5% dos votos válidos para a Câmara.

Quem fica abaixo disso perde acesso ao fundo partidário e ao tempo de TV e rádio.

"A cláusula de barreira muda o cálculo do partido sobre em quem vale a pena investir. A candidatura de baixa competitividade deixa de ser inofensiva e passa a ser danosa", explica a cientista política Mayra Goulart, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Desde 2018, a regra já levou à extinção, por fusão ou incorporação, de sete partidos: PPL, PRP, PHS, Pros, PSC, Patriota e PTB. Segundo o TSE, ao menos 11 legendas correm risco de repetir o destino neste ano.

Três fusões recentes ilustram o movimento: PTB e Patriota viraram PRD, o Pros foi incorporado ao Solidariedade e o PSC se fundiu ao Podemos.

Quem cresce e quem encolhe entre os partidos?

O PL manteve a maior legenda em candidaturas, com 534 registros, ante 511 em 2022. Já o Novo mais que dobrou, saindo de 221 para 505 candidaturas, alta de 128%.

No sentido oposto, o Agir perdeu 72% das candidaturas, caindo de 373 para 103. A federação que reúne PT, PCdoB e PV recuou 8,8%, de 533 para 486 registros.

O recorte nacional segue a mesma tendência vista em Minas Gerais, onde as candidaturas ao governo estadual também caíram 28%, com só uma mulher na disputa pelo governo do estado.

A concentração tem outro efeito prático. Cerca de 80% dos atuais deputados federais tentam a reeleição em 2026. Sob a cláusula de barreira, o partido pequeno pensa duas vezes antes de lançar um nome sem força eleitoral.

O TSE também definiu nesta semana o tempo de TV de cada partido para a propaganda que começou no dia 16 de agosto, critério que segue direto do tamanho da bancada na Câmara.

O que muda para quem vota

Com menos legendas e menos candidatos de baixa competitividade, a disputa de 2026 concentra força em quem já ocupa mandato.

A cláusula de barreira não decide sozinha o resultado nas urnas, mas define quem chega a outubro com fundo partidário e tempo de TV para disputar em condição de igualdade.