Os Estados Unidos vão liberar, sem tarifa, a importação de até 300 mil toneladas de carne moída por 90 dias. O anúncio foi feito pelo presidente Donald Trump nesta sexta-feira (21) e derruba a tarifa de 26,5% que incidia sobre o volume acima da cota anual. A medida mira o preço da carne nos Estados Unidos.

O preço da carne moída subiu 40% em cinco anos nos Estados Unidos, pressão que motivou a medida, segundo o Movimento Econômico.

Com a tarifa a zero, a cota soma um valor de exportação estimado em US$ 1,9 bilhão, com base no preço médio de US$ 6.600 por tonelada em 2026.

A eliminação da tarifa representa cerca de US$ 500 milhões em benefício potencial para os frigoríficos brasileiros, segundo o site especializado The AgriBiz.

O Brasil exportou 233 mil toneladas de carne bovina aos Estados Unidos entre janeiro e julho de 2026, receita de US$ 1,5 bilhão, segundo o site.

Os Estados Unidos são o segundo maior comprador da carne brasileira, com 12% do total exportado. A China lidera, com 44%.

A Minerva Foods é a principal beneficiada. A empresa tem 55% da receita vinda de operações de carne bovina no Brasil, a maior exposição entre as processadoras do setor.

As ações da Minerva subiram 3% na B3 no dia do anúncio, segundo análise da XP Investimentos.

O BTG Pactual pondera que o efeito é misto para JBS e MBRF, concorrentes com operações mais diversificadas fora do Brasil.

Como o Brasil chegou à cota esgotada

O Brasil esgotou a cota anual de exportação de carne bovina in natura aos Estados Unidos nos seis primeiros dias de 2026, segundo o Brasilagro. Qualquer volume adicional embarcado no ano passou a ser taxado em 26,4%.

Diante da tarifa, frigoríficos como JBS e Minerva já haviam sinalizado a intenção de redirecionar exportações a partir de unidades no Uruguai e na Austrália para manter acesso ao mercado americano.

Para a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a diplomacia é o caminho para reverter as tarifas. O presidente da entidade, Roberto Perosa, destaca o papel da carne brasileira na segurança alimentar dos Estados Unidos.

Até quando vale o alívio na tarifa

A liberação vale por 90 dias e não altera a tarifa de 26,4% que volta a incidir sobre o excedente da cota anual regular.

A pressão da inflação de alimentos nos Estados Unidos, às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro, ajuda a explicar a pressa da medida.

O que ainda não dá para saber é se o alívio se torna permanente ou se é só uma resposta pontual ao calendário eleitoral americano.