O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou a Donald Trump nesta sexta-feira (21) e classificou como infundadas as tarifas de 25% e 12,5% que os Estados Unidos aplicam a produtos brasileiros. A ligação foi confirmada pelo Palácio do Planalto. Trump aceitou enviar equipes dos dois países para uma nova rodada de negociação.
A ligação durou 1h20 e foi classificada como amistosa e cordial pelo Palácio do Planalto.
"As alegações são infundadas", disse Lula sobre a justificativa americana, que cita o Pix e supostas violações de propriedade intelectual para sustentar as tarifas de 25% e 12,5%.
Trump, segundo o relato do Planalto, concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes entre os dois países e propôs que as equipes de negociação voltassem a se reunir o mais breve possível.
As tarifas discutidas na ligação se somam a um tarifaço de 50% em vigor desde 2025 sobre uma lista que inclui café e carne bovina. A medida foi imposta pelo governo Trump no mesmo período em que o ex-presidente Jair Bolsonaro era julgado no Brasil.
Parlamentares de oposição tratam a aproximação com cautela. Eles apontam que Trump mantém apoio público à causa de Bolsonaro e que o alinhamento do governo brasileiro aos países do Brics dificulta um canal direto de confiança com Washington.
É pelo menos o quarto contato direto entre os dois presidentes desde outubro de 2025.
Antes da ligação desta sexta, Lula e Trump já haviam se encontrado à margem da cúpula da Asean, em outubro do ano passado, e em duas visitas de Lula à Casa Branca, em abril e maio deste ano.
O que mais Lula e Trump trataram na ligação
"PCC e CV exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas", afirmou Lula, segundo a nota da Presidência.
Ucrânia, o conflito no Oriente Médio e a reforma do Conselho de Segurança da ONU também entraram na pauta.
No mesmo dia da ligação, Trump zerou por 90 dias a tarifa sobre 300 mil toneladas de carne moída importada, gesto que abre uma janela estimada em US$ 500 milhões para frigoríficos brasileiros.
As ações da Minerva Foods, a processadora mais exposta ao mercado brasileiro, subiram 3% na B3 no mesmo pregão.
O que muda de fato nas tarifas
Trump aceitou uma nova rodada de conversas, mas não indicou prazo nem sinalizou revisão imediata dos 25% e dos 12,5% em discussão.
O tarifaço de 50% em vigor desde 2025 também segue sem data de reavaliação.
A pergunta que fica é se o tom mais ameno se traduz em redução real das tarifas ou permanece só no discurso.


























