Investidores estrangeiros retiraram R$ 15,63 bilhões da B3 até o dia 13 de agosto, segundo a Elos Ayta Consultoria. É a maior saída mensal de capital estrangeiro da Bolsa brasileira desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19.

Em apenas sete pregões do mês, a retirada já somava R$ 11,93 bilhões, equivalente a 80% de todo o volume que saiu em maio, o mês de maior fuga do ano até então, com R$ 14,91 bilhões.

Um único dia, 11 de agosto, concentrou R$ 4,7 bilhões da saída, e o Ibovespa caiu 2,5% na data.

O que está afastando o capital estrangeiro

Segundo o CEO da Elos Ayta, Einar Rivero, "é possível que agosto termine entre os meses de maior saída de capital estrangeiro da B3 em 2026". A consultoria mantém uma série histórica iniciada em janeiro de 2022.

Os dois piores meses dessa série inteira são maio e agosto deste ano.

Para Elson Gusmão, da Ourominas, a Bolsa brasileira "permanece concentrada em commodities, bancos e empresas domésticas" e precisa "de um gatilho claro para atrair capital". O capital global tem fluído para mercados ligados a inteligência artificial, setor em que a B3 tem pouca presença.

Gustavo Cruz, da RB Investimentos, atribui parte do movimento à corrida presidencial. Segundo ele, "a percepção sobre a eleição começou a influenciar os preços de forma mais clara".

O banco JPMorgan também citou crescimento fraco, crédito deteriorado e juros elevados entre os fatores de risco.

O fluxo de estrangeiros na B3 não é negativo o ano inteiro. Janeiro teve entrada de R$ 26,31 bilhões, fevereiro, de R$ 15,40 bilhões, e março, de R$ 11,66 bilhões.

A reversão começou em junho, com saída de R$ 7,79 bilhões, e se aprofundou em maio e agora em agosto.

O que a TV Sim observa

A régua de comparação usada pelos próprios analistas de mercado não é um mês fraco qualquer. É março de 2020, o início de um choque sanitário global, o que dimensiona o tamanho do movimento mais do que qualquer adjetivo.

A série histórica da Elos Ayta só começa em 2022 e ainda não responde a uma pergunta. Quanto desse fluxo volta quando a eleição de outubro tiver um resultado definido, e quanto é migração permanente de capital para outros mercados?