O Grupo Toky, dono das marcas Tok&Stok e Mobly, teve prejuízo líquido de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 162% ante o mesmo período do ano passado. A receita caiu 37,3%, para R$ 207,1 milhões, no primeiro balanço da empresa desde que entrou em recuperação judicial.
O prejuízo acumulado no semestre chegou a R$ 308,3 milhões. O Ebitda ficou negativo em R$ 156,2 milhões, e o caixa da empresa terminou o trimestre em R$ 23,4 milhões.
A companhia entrou com o pedido de recuperação judicial em 12 de maio, com dívida de R$ 1,12 bilhão. O processamento foi deferido em 15 de junho, e os acionistas ratificaram a decisão em 27 de julho.
Até 12 de agosto, a empresa ainda aguardava o envio da lista de credores.
Em relatório, a administração atribuiu o resultado a "uma combinação de dois fatores: um cenário macroeconômico severamente restritivo, com juros elevados, alto endividamento das famílias e escassez de crédito pressionando o consumo de móveis e decoração".
O segundo fator citado foram as "rupturas de estoque provocadas pelo próprio pedido de recuperação judicial".
O que mudou na operação
O grupo fechou 12 lojas no semestre, reduzindo de 64 para 52 unidades. O encerramento antecipado de 10 delas, só no segundo trimestre, gerou R$ 25 milhões em multas contratuais.
A empresa também descontinuou o Seller Center da Mobly e devolveu parte do centro de distribuição de Extrema, medida que deve economizar R$ 23 milhões por ano.
A crise não é nova. Em maio, quando o pedido de recuperação judicial foi anunciado, a ação TOKY3 caiu 41,38% em um único dia, fechando a R$ 0,17.
No acumulado do ano, o papel já perdia cerca de 80% do valor.
Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa disse que "apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando".
Entre os credores citados no processo estão Bradesco, Santander, Domus Tecnologia e FS Investments. Para reenquadrar a cotação às regras da B3, a companhia aprovou depois um grupamento de ações na proporção de 20 para 1.


























