O Amapá pode ter o PIB elevado em até 61,2% com a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A promessa, porém, ainda não aparece nas urnas. Pesquisa de julho mostra o governador Clécio Luís, que aposta na descoberta para a reeleição, com 30% contra 66% do adversário Dr. Furlan.

Nesta segunda-feira (17), o presidente Lula visita o navio-sonda da Petrobras na Foz do Amazonas ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do próprio Clécio Luís. Lula deve declarar apoio à candidatura do governador à reeleição.

Por que o Amapá aposta tanto nesse petróleo

A Petrobras identificou indícios de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Margem Equatorial, próximo à foz do Amazonas. A empresa recebeu licença do Ibama em outubro de 2025 para iniciar as pesquisas exploratórias na região.

As reservas na área são estimadas em até 16 bilhões de barris, com potencial de produção de 1,1 milhão de barris por dia, segundo projeções do setor.

Segundo a CNI, a exploração pode gerar mais de 490 mil empregos diretos e indiretos no estado, além do salto de 61,2% no PIB.

A comparação com outros territórios ajuda a dimensionar o potencial. Maricá, no Rio de Janeiro, arrecadou cerca de R$ 2,6 bilhões em royalties de petróleo só em 2025.

A Guiana, vizinha do Amapá e também iniciante na exploração, faturou mais de R$ 4 bilhões em 2024 e já estruturou um fundo soberano com o dinheiro.

O efeito já chegou a Oiapoque, mas não às pesquisas

Em Oiapoque, no norte do estado, moradores já sentem o efeito antes mesmo de o petróleo ser extraído. A construção de imóveis está em alta, os aluguéis mais caros, e chegam trabalhadores atraídos pelas perspectivas dos royalties.

O governo federal também já movimenta dinheiro na região. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional firmou parceria de R$ 634,1 milhões com a Petrobras para formar mão de obra e criar o Instituto Margem Equatorial.

Nada disso, porém, aparece nas urnas até agora. Uma pesquisa da Real Time Big Data, divulgada em 24 de julho, mostrou Dr. Furlan (PSD) com 66% das intenções de voto contra 30% de Clécio Luís.

O cenário estimulado incluía só os dois candidatos, e na simulação de segundo turno entre eles a vantagem de Furlan se mantinha.

Cinco homens disputam o governo do Amapá em outubro, e nenhuma mulher. São eles Clécio Luís (União Brasil), Dr. Furlan (PSD), Marcos Reátegui (Democracia Cristã), Jairo Palheta (PCO) e Carlos Cley (PSTU).

O primeiro turno é em 4 de outubro, com segundo turno possível em 25 de outubro.

O que ainda separa a promessa do resultado

O petróleo é uma descoberta recente, e a distância entre encontrar reserva e sentir o dinheiro no bolso costuma ser de anos, não de meses.

É essa diferença de tempo que ainda separa o discurso de campanha do que o eleitor amapaense vê no dia a dia.

A pergunta que fica para outubro é se o eleitor vai votar no petróleo que promete chegar ou no retrato do estado que ele já conhece.