Três varejistas de perfis diferentes, Tok&Stok, Casas Bahia e Magazine Luiza, divulgaram resultados negativos no mesmo trimestre. Juros de 14,75% ao ano, o maior nível de endividamento das famílias já registrado pelo Banco Central e o crédito mais caro formam o pano de fundo comum por trás dos números.
A Tok&Stok teve prejuízo de R$ 232,7 milhões no trimestre, alta de 162%. A Casas Bahia acumula prejuízo de R$ 10,1 bilhões no ano e pede recuperação judicial pela segunda vez em dois anos.
A Magazine Luiza, que vinha de lucro, reverteu para prejuízo de R$ 50,4 milhões.
A Selic está em 14,75% ao ano, após um único corte, em março, depois de meses no maior patamar em duas décadas.
Em janeiro, o comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu o maior nível da série histórica do Banco Central.
O que dizem os analistas
"É difícil que o varejo enfrente uma queda livre, porque o mercado de trabalho o sustenta. Mas é difícil que ele avance fortemente", diz Guilherme Freitas, economista da Stone.
Para Ana Paula Tozzi, da AGR Consultores, o cenário cria "pressão de capital de giro que provoca sortimento mais restrito e mais pressão por eficiência operacional".
O Banco Central classificou o superendividamento das famílias brasileiras como um "problema crescente", em nota oficial.
Nem todo canal de venda sofre igual. Na Magazine Luiza, as vendas em lojas físicas cresceram 10,3% no trimestre, enquanto o e-commerce próprio caiu 11,9%.
O varejo brasileiro fechou 2025 com alta de apenas 1,6% nas vendas, a menor taxa desde 2024. As vendas de veículos caíram 3% no mesmo ano.
O que a TV Sim observa
O Banco Central já chama o endividamento das famílias de "problema crescente".
A pergunta que fica é se um único corte de juros, em março, basta para tirar o consumo do que os próprios analistas do setor chamam de voo de galinha.
Ou se o varejo vai precisar de mais tempo, e mais cortes na Selic, para voltar a crescer de forma consistente.


























