O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira (17) bombardear Omã caso o país "atrapalhe" as negociações americanas com o Irã sobre o Estreito de Ormuz. A escalada elevou o petróleo Brent a US$ 88,52 o barril, alta de 1,7%, e derrubou o Ibovespa pela 10ª sessão seguida.
Segundo a CNBC, o prazo de 60 dias que a Casa Branca deu para um acordo amplo com o Irã venceu nesta segunda-feira sem resultado.
Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que os Estados Unidos mantêm um canal direto com a Guarda Revolucionária iraniana. A própria Guarda nega o contato.
O Estreito de Ormuz é a passagem por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo, entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico.
Qualquer ameaça à navegação na região tende a pressionar o preço do barril para cima. Nesta segunda-feira, o WTI também fechou em alta, a US$ 82,40, alta de 1,4%.
Trump disse que o Irã deveria "hastear a bandeira branca da rendição". Segundo o InfoMoney, ele reforçou que o objetivo americano número um é impedir que o país tenha uma arma nuclear.
Do lado iraniano, uma autoridade informou que o país vai intensificar as tensões na região caso a diplomacia com os Estados Unidos fracasse.
Como a bolsa brasileira reagiu
Segundo o InfoMoney, o Ibovespa fechou a sessão em queda de 0,09%, aos 166.783,57 pontos. Foi a 10ª sessão seguida de perdas, a maior sequência negativa desde agosto de 2023. O dólar comercial, na direção oposta, recuou 0,36%, a R$ 5,201.
A Petrobras não seguiu o resto da bolsa brasileira. A ação preferencial (PETR4) fechou o pregão em alta de 0,90%, e a ordinária (PETR3), em alta de 0,06%. As duas chegaram a subir mais de 1% ao longo do dia antes de recuar.
Na comparação regional, porém, a petroleira brasileira ficou para trás. Segundo o Rio Times Online, o recibo da Petrobras negociado em Nova York fechou a sessão anterior com queda de 0,06% na ação comum e de 0,34% na preferencial.
A argentina YPF, na mesma comparação, subiu 1,21%. O veículo considerou a petroleira argentina a beneficiária mais clara da região com a alta do petróleo.
A colombiana Ecopetrol caiu 0,23%.
O motivo da resistência da Petrobras está na política de preços da estatal. Desde 2023, a companhia não segue mais a paridade de importação, mecanismo que atrelava os preços de combustível diretamente à cotação internacional do petróleo.
Na prática, uma alta pontual do Brent como a desta segunda-feira não se traduz automaticamente em reajuste na bomba para o consumidor brasileiro.
Até onde vai a alta do petróleo
A tensão em Ormuz ainda não chegou ao posto de gasolina brasileiro, porque a Petrobras desvinculou o preço interno do mercado internacional em 2023.
Mas o prazo que os Estados Unidos deram ao Irã já venceu sem acordo, e o próprio governo iraniano avisou que vai intensificar as tensões se a diplomacia falhar.
Se a escalada no Oriente Médio se prolongar, a pergunta que fica é até quando a política de preços atual segura o consumidor brasileiro longe dessa conta.


























