O empresário Carlos Eduardo Grimaldi afirmou que a cultura organizacional é o fator que decide se uma empresa passa para a geração seguinte de sócios. Citou dado de que 75% das empresas familiares quebram na sucessão para a segunda geração e disse rejeitar o trabalho totalmente remoto por considerar que cultura não se constrói à distância.

Grimaldi soma 17 anos como empresário e é diretor de tecnologia na Missão Engenharia, em Belo Horizonte.

Por que a cultura decide a sobrevivência da empresa

"Tem um estatístico que mostra que quando a empresa sucede para a segunda geração, 75% quebra. Elas não passam para a terceira geração", disse Grimaldi ao Encampus Podcast.

Para ele, empresas que atravessam gerações têm em comum a cultura organizacional construída no dia a dia, não apenas em documentos formais. "Cultura organizacional é o tema mais importante do momento, na minha visão, ainda mais em momentos de inteligência artificial", afirmou.

Por que rejeita o trabalho totalmente remoto

Grimaldi disse ter testado diferentes formatos de trabalho durante a pandemia e ter concluído que o modelo remoto só funciona para quem já tem experiência consolidada.

"O remoto funciona só para quem está no estágio de senioridade. Quem não é sênior não está aprendendo com sênior", afirmou. "Eu não acredito em empresa totalmente remota porque não existe cultura no online."

Como alternativa, promove encontros mensais de confraternização entre áreas diferentes da empresa, como um churrasco em que a cada mês um funcionário assume a churrasqueira.

"É legal porque no momento você está ali cobrando todo mundo, na posição de chefe, dono, CEO, diretor, e no outro momento você está ali na churrasqueira", disse.

Segundo ele, é nesses encontros informais que colaboradores de setores diferentes trocam ideias que não surgem em reunião com pauta fechada.

Grimaldi citou ainda a 3M como referência de cultura que atravessa décadas. Segundo ele, a fabricante mantém um livro interno que registra a história por trás de cada ideia, inclusive as que fracassaram, com o nome de quem propôs e de quem executou.

"Eles também têm essa liberdade de propor ideias", disse, ao lembrar que a empresa também reserva parte do tempo dos funcionários para pensar em outros assuntos, prática que associa à origem de vários produtos da marca.

Grimaldi também defende coerência de comportamento dentro e fora do horário de trabalho como parte da cultura. "Não seja uma pessoa no público e outra nos bastidores, porque a conta chega uma hora", afirmou.

"Consistência é a constância maior que intensidade", resumiu.