A Polícia Federal apurou que o banqueiro Daniel Vorcaro pagou R$ 146,5 milhões em propina ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, para viabilizar a venda de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master ao banco público. O valor foi repassado por meio da compra de imóveis de alto padrão em São Paulo e em Brasília.
Segundo a corporação, as fraudes somaram R$ 17 bilhões dentro de um total de R$ 20 bilhões movimentados pelo BRB. O esquema deu aparência legítima a créditos que não existiam, o que permitiu ao Master repassar o rombo ao banco público antes de ser liquidado.
Como funcionava o esquema
O esquema usava a empresa Tirreno como fachada para emitir e fazer circular ativos fictícios entre as duas instituições. O Master vendia essas carteiras ao BRB depois de a Tirreno repassar os créditos, criando uma cadeia que disfarçava a origem dos papéis.
De acordo com a PF, a fraude foi "estruturada mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada".
Mensagens entre Vorcaro e Paulo Henrique, obtidas pela investigação, mostram que a equipe de tecnologia do Master usava scripts para gerar Cédulas de Crédito Bancário em lote, a partir de CPFs extraídos de bancos de dados antigos.
A investigação identificou 2,7 mil procurações fabricadas de forma automatizada, das quais 1.785 chegaram a ser enviadas ao BRB.
O que acontece agora
Vorcaro e Paulo Henrique Costa estão presos desde a liquidação do Master pelo Banco Central, em novembro de 2025. O STF, pelo ministro André Mendonça, derrubou o sigilo dos arquivos do caso.
"O investigado tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes", disse a defesa de Vorcaro em nota, acrescentando que as medidas judiciais serão atendidas "com total transparência".
A defesa finalizou também uma proposta de delação premiada. A fraude na compra das carteiras do Master pelo BRB já havia sido confirmada pela PF nesta semana, e o novo relatório apenas detalha o mecanismo por trás do rombo.
A PF atribui a Vorcaro outra propina. A corporação também apontou o pagamento de US$ 38 mil a um ex-diretor do Banco Central para custear uma viagem à Disney.






































































