O diretor nacional de vendas Rogério Furtado afirmou, no podcast Encampus, que uma demissão nunca deve pegar o funcionário de surpresa e descreveu o processo de feedbacks que aplica antes de qualquer desligamento. Ele também atribuiu à governança corporativa parte do crescimento de até nove vezes no faturamento da UAL Inglês em duas décadas.

Três feedbacks antes de qualquer demissão

Furtado contou que já tomou “demissões duríssimas” ao longo da carreira, mas defendeu que o processo precisa ser transparente desde o início. “Aquele mais importante para você não pode ser surpresa para quem você demite”, disse.

Segundo ele, o rito começa com um primeiro aviso de que a performance não está adequada, seguido de um segundo alerta caso nada mude. Só depois vem o desligamento.

“É importante que você traga fatos, né? Nunca pode ser do lado pessoal, né? Fatos e dados, números”, afirmou, ao descrever como orienta os próprios líderes da equipe a conduzir essas conversas.

Para Furtado, tirar alguém da empresa quase nunca é sobre falta de competência: é sobre adequação ao momento e à cultura daquele time.

Ele disse já ter desligado profissionais que, depois, tiveram “sucesso estrondoso” em outras companhias, prova de que o desligamento não é sentença sobre a capacidade de ninguém.

Furtado descreveu a liderança como um exercício solitário. “Tem hora que você tem seu líder que está em cima, seus liderados embaixo. Tem hora que é exigido de você uma decisão que você tem que tomar”, disse.

Governança como “colchão” nas crises

Questionado se a estrutura de governança de uma empresa interfere na capacidade de um executivo tomar decisões, Furtado respondeu que sim, “totalmente”.

Segundo ele, a UAL Inglês multiplicou o faturamento entre oito e nove vezes nos últimos 20 anos combinando pessoas talentosas, bons produtos e papéis e responsabilidades bem definidos entre sócios e lideranças.

“Governança é tudo. Governança é fundamental”, resumiu.

Furtado apontou as empresas familiares como o grupo mais vulnerável à ausência desse tipo de estrutura. “Muitas empresas, principalmente a maioria das empresas familiares, pecam porque não tem governança”, afirmou.

O executivo também descreveu a função da governança nos momentos de instabilidade: segundo ele, é o que sustenta a empresa numa crise e permite acelerar quando é hora de crescer.

Para Furtado, o executivo responde pelos desdobramentos de cada decisão, certa ou errada, mesmo quando a toma sozinho, sem poder dividir a responsabilidade com quem está acima ou abaixo dele na hierarquia da empresa.