O empresário Carlos Eduardo Grimaldi disse acreditar que a inteligência artificial vai eliminar empregos, mas também vai criar outros, e defendeu o uso da tecnologia com "guardrails" (mecanismos de proteção). Citou o caso de um estudante que resolveu, com um chatbot de IA, um desafio matemático que um pesquisador levou sete anos para solucionar.

Grimaldi soma 17 anos como empresário e é diretor de tecnologia na Missão Engenharia, em Belo Horizonte.

"O problema não é da tecnologia"

Grimaldi disse ao Encampus Podcast que vê a inteligência artificial como uma ferramenta majoritariamente positiva, apesar de reconhecer riscos de uso indevido.

"O problema não é da tecnologia, o problema é do ser humano. Não são armas que matam pessoas, são pessoas que matam pessoas", afirmou, ao comparar o argumento com o uso da IA.

Como exemplo do potencial da tecnologia, citou o caso de um estudante que usou um chatbot de inteligência artificial para resolver, em cerca de 80 minutos, um problema matemático que um pesquisador levava sete anos tentando solucionar sem sucesso.

Para Grimaldi, episódios como esse mostram por que empresas devem adotar a IA com controles claros.

"A gente tem que ter as defesas, as nossas defesas, a gente tem que se proteger, mas a gente tem que usar IA. Ela é uma ferramenta muito potente", disse.

Vagas de tecnologia sem gente para preencher

Na área de desenvolvimento de software, Grimaldi contou ter enfrentado dificuldade para contratar. "Eu fiquei com vaga de desenvolvedor aberto mais de anos, eu não consegui encontrar", relatou.

Ele explicou que faltam profissionais que dominem a linguagem de programação específica de cada projeto. Para ele, a IA tende a aliviar esse gargalo ao potencializar a produtividade de quem já está empregado, e não a substituí-lo.

Sobre o temor de que a tecnologia elimine postos de trabalho, Grimaldi foi direto: "A IA vai acabar com vários empregos, vai. Mas, em contrapartida, vai criar vários outros empregos também", disse.

Ele citou o exemplo da Kodak como empresa que resistiu à própria inovação e perdeu mercado para concorrentes. "A resistência é o pior caminho", resumiu, ao lembrar o conceito de "destruição criativa" do economista Joseph Schumpeter.

Grimaldi se disse otimista sobre o potencial da IA para resolver problemas maiores do que os do mercado de trabalho. "Eu penso muito mais na cura de vários cânceres, de várias doenças, através da IA", afirmou.

"Se a gente está resolvendo problemas matemáticos complexos, por que não encontrar soluções de doenças complexas?", questionou.