Uma operação da Receita Federal e da Anvisa acelerou, no fim de semana, a chegada ao Brasil do ALN-6457, remédio experimental usado no tratamento do youtuber Lito Sousa, de 59 anos, diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob. A carga pousou em Guarulhos no sábado (12) à noite e seguiu de helicóptero direto ao Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
O remédio, desenvolvido pela farmacêutica Regeneron, ainda está em fase pré-clínica, sem estudos formalmente iniciados em humanos. A liberação alfandegária levou poucos minutos, e o intervalo entre o pouso e a chegada ao hospital foi reduzido ao mínimo possível.
Como funciona a importação excepcional de remédio?
A Anvisa autoriza a chamada importação excepcional quando o paciente tem doença grave ou risco de morte, não existe alternativa terapêutica registrada no Brasil e ele não pôde entrar em uma pesquisa clínica com o medicamento. A autorização é caso a caso.
Nosso registro sobre a autorização da Anvisa mostrou que o pedido para Lito Sousa foi aprovado em setembro. Agora, o remédio efetivamente chegou ao paciente.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma encefalopatia espongiforme rara, causada por uma proteína chamada príon, sem cura conhecida. O Brasil notificou 1.576 casos suspeitos entre 2005 e 2021, dos quais 547 foram confirmados, uma média de cerca de 32 por ano.
O tratamento disponível hoje é apenas sintomático, sem terapia capaz de reverter a doença. É esse cenário de doença grave e sem alternativa que justifica o uso do mecanismo excepcional da Anvisa.
Lito Sousa comanda o canal Aviões e Músicas, que passou de 4 milhões de inscritos enquanto ele estava internado. Ele é mecânico de aeronaves há mais de 37 anos.
Em agosto, ele fez apelo público por acesso a tratamento experimental depois do diagnóstico da doença rara.
O caso de Lito Sousa teve visibilidade de sobra para mobilizar duas agências federais num fim de semana. A pergunta que fica é se o mesmo ritmo vale para quem enfrenta a mesma urgência sem um canal de milhões de inscritos.
O que acontece agora
A família de Lito Sousa não detalhou publicamente o plano de tratamento com o novo medicamento. A Anvisa não divulga rotineiramente quantos pedidos de uso excepcional recebe nem aprova por ano.
O que a TV Sim observa
A rapidez que levou o remédio a Lito Sousa mostra que o mecanismo de uso excepcional da Anvisa pode funcionar rápido quando é acionado. A pergunta que fica é se pacientes sem visibilidade pública conseguem o mesmo ritmo, e se o Brasil registra esse dado.





























