O empresário Carlos Eduardo Grimaldi listou três características que considera indispensáveis para quem quer empreender: vontade de aprender sempre, fé para lidar com o que não se controla e o que chama de "cara de pau" para pedir ajuda. Ele defende que negócio de sucesso nasce de resolver uma dor, não de uma boa ideia.

Vontade de aprender e fé

Grimaldi apontou a vontade de aprender como o primeiro pilar. "O empreendedor tem que ser a pessoa que acorda com vontade de conhecer", disse ao Encampus Podcast.

"Desde o primeiro dia que eu comecei a empreender, todos os dias eu tenho a certeza que eu dormi com algum conhecimento novo na cabeça."

Para ele, quem não tem essa disposição não deveria abrir um negócio: "Quem quiser empreender que não tiver vontade de aprender, não empreende."

O segundo pilar é a fé, segundo ele, porque nenhum empresário controla todas as variáveis do próprio negócio.

"Tem que ter fé que as coisas vão dar certo. Tem que ter fé que algo bom nos guarda", afirmou, ao citar a legislação tributária brasileira como exemplo de conhecimento que nunca se esgota.

Ele mencionou ainda uma palestra sobre a relação entre fé e a glândula pineal, responsável pela liberação de hormônios. "Se você tem fé, de fato, você consegue chegar mais longe", resumiu.

Cara de pau e o conselho final: mapear a dor

O terceiro pilar, disse Grimaldi, é o que chama de "cara de pau", a disposição de retomar contato com pessoas que não vê há anos e pedir ajuda sem constrangimento.

"Quem empreendedor tem que ser cara de pau. Não tem dessa de que não vou ser cara de pau", afirmou, ao lembrar que ligou para amigos de anos sem contato no período em que decidiu conhecer negócios alheios antes de abrir o próprio.

Para fechar a entrevista, Grimaldi resumiu o que considera o maior erro de quem empreende: focar na ideia, e não no problema que ela resolve.

"Eu criava soluções mirabolantes, ótimas, lindas, mas que elas não tracionavam no mercado", contou, sobre erros cometidos na área de importação.

A virada, segundo ele, veio de uma conversa com uma consultora do Sebrae: "Você está criando ótimos produtos, ótimas soluções a sua cabeça, mas você não está olhando para a dor", relatou ela ter dito.

Grimaldi citou o QuintoAndar como exemplo do método, ao afirmar que a empresa nasceu de olhar para a dor de quem precisa de um avalista para alugar imóvel. "Esquece as boas ideias, olha para a dor, foca na dor e ama ela", resumiu.