O engenheiro eletricista Carlos Eduardo Grimaldi decidiu virar empresário depois de três anos rodando fábricas de cimento pelo interior do Brasil como trainee. Ele contou ao Encampus Podcast que voltou a Belo Horizonte, pediu demissão e passou seis meses sem tomar nenhuma decisão de negócio, só visitando empresas de amigos para aprender como cada um ganhava dinheiro.

Grimaldi é engenheiro eletricista formado pela PUC Minas, com MBA em gestão de riscos corporativos e mestrado em engenharia civil pelo Instituto de Pesquisa Tecnológica de São Paulo.

Soma 17 anos como empreendedor e hoje é diretor de tecnologia na Missão Engenharia, sócio da Binouven, empresa de vídeo-monitoramento, e presidente da CDL Jovem de Belo Horizonte.

Por que decidiu virar empresário

A decisão amadureceu enquanto trabalhava como engenheiro trainee em fábricas de cimento no interior do país, avaliando os terrenos ao redor com a pergunta "o que dá para construir aqui".

"Eu cheguei à conclusão que eu tinha que empreender, não tinha jeito. Era mais forte do que eu", afirmou.

A decisão também teve motivo familiar: Grimaldi voltou para Belo Horizonte para cuidar do avô e de um tio na reta final da vida de ambos.

"Eu tive a oportunidade de viver o final da vida ao lado dos dois", disse. "Isso me trouxe para Belo Horizonte com um fôlego, obviamente, para respirar, e uma vontade grande para empreender."

O sabático que virou curso intensivo de negócios

Antes de abrir qualquer negócio, ele passou seis meses sem tomar nenhuma decisão, visitando as empresas de amigos que já empreendiam.

"Eu vou ficar seis meses sem tomar nenhuma decisão, só me colocando disponível para aprender, para conhecer", contou. Pedia para acompanhar a rotina dos amigos por um dia inteiro, do início ao fim do expediente.

Na avaliação de Grimaldi, a maioria dos empreendedores trava não por falta de ideia, mas por falta de execução. "Mais de 90% dos empreendedores tem um projeto na gaveta fantástico, incrível, mas que nunca tirou da gaveta, porque execução dá muito trabalho", disse.

Ao fim do período, recebeu propostas de sociedade dos próprios amigos visitados, de importadora a linha de confecção dentro de presídio. Ele recomenda cautela nesses casos.

"Amizade vale mais que dinheiro. Então tem que saber colocar na balança", afirmou, ao lembrar que passou a se afastar de amigos justamente por misturar rotina profissional e pessoal.

"O quanto que empreender ao lado dos meus amigos nos afastou no sentido da amizade", refletiu, dizendo reservar hoje momentos só de amizade com os sócios, sem falar de negócio.