A consultora Natália Cordeiro, sócia da Ação Consultoria, afirmou ao Encampos Podcast que a inteligência artificial não substitui a experiência de um consultor humano, embora já seja usada por clientes até para validar o trabalho de quem eles próprios contrataram. Para ela, a tecnologia é suporte, não substituto.

Segundo Natália, a maioria das ferramentas de IA disponíveis hoje é generativa e depende de estatística, o que limita sua capacidade de indicar soluções específicas para cada negócio.

"A inteligência artificial é generativa. Ela vai te dar um mapeamento de processos de acordo com a estatística que está por trás dela. Mas nada substitui a experiência", disse.

Clientes confiam mais na máquina do que no humano

A consultora citou um estudo científico segundo o qual pessoas tendem a confiar mais em respostas de máquinas do que de outros humanos, por causa da complexidade das relações interpessoais.

"Existe um estudo científico de que o ser humano tende a confiar mais na máquina do que no outro humano, porque as relações humanas são complexas", afirmou.

Segundo ela, esse comportamento já aparece na rotina de clientes da consultoria. "Muitos clientes contratam aquela demanda, aquele serviço, mas ainda assim fazem uma validação, uma conferência na inteligência artificial", relatou.

Como exemplo do limite da ferramenta, ela citou o caso de uma inteligência artificial batizada VITAL, eleita em Hong Kong para o conselho de administração de um fundo de investimento em 2013 ou 2014, com poder de decisão sobre teses de investimento.

Natália ainda observou que a confiança na máquina já leva pessoas a tratar assistentes de IA como conselheiro pessoal, usando o chat diariamente quase como um diário ou uma terapia. "A inteligência artificial vem como o principal conselheiro, consultor das empresas, das pessoas", disse.

Para ela, o mesmo vale para contratos jurídicos gerados sem revisão de um especialista. "O problema, o contrato, ele não serve para fazer um negócio, ele serve quando o negócio dá errado", disse.

"E, nesse ponto, a inteligência artificial, ela não tem repertório para entender aquela negociação", completou.

Consultoria migra do conselho para a execução

Questionada sobre o futuro do mercado, Natália disse perceber uma mudança no que os clientes esperam de uma consultoria: menos conselho, mais apoio para executar.

"Eles não querem alguém pra dar conselho. Eles não querem alguém pra só falar o que fazer", afirmou. "Hoje os clientes estão procurando muito mais ajuda, além da experiência, mas ajuda pra executar, pra fazer."

Segundo ela, a Ação Consultoria já reforça esse modelo, batizado internamente de assessoria.

"A gente passa de uma virada de chave de consultoria para assessoria também. Se você quiser só o conselho, a gente tem também, mas a nossa essência é assessoria", disse, acrescentando que o acompanhamento do cliente é "onde o resultado realmente acontece".