O empresário Carlos Eduardo Grimaldi contou que criou uma sala de descanso na empresa depois de flagrar, na mesma semana, uma funcionária dormindo em cima de um pallet, uma eletricista dormindo no carro e um pedreiro dormindo na própria mesa de trabalho.

Grimaldi soma 17 anos como empresário e é diretor de tecnologia na Missão Engenharia, em Belo Horizonte.

O episódio, contou ao Encampus Podcast, disparou a primeira reação de irritação. "A primeira reação nossa é ficar com muita raiva e xingar todo mundo", relembrou.

"Eu estou pagando para você trabalhar aqui, não está no horário de descansar, está dormindo. Como assim?", pensou, antes de se conter.

Da irritação à conversa sobre saúde mental

Em vez de punir, Grimaldi reuniu os colaboradores para conversar sobre saúde mental durante o Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre prevenção ao suicídio no Brasil. "Foi chocante. Estômago meu, nossa, fechou, foi muito duro", disse sobre o resultado da conversa.

Um dos relatos veio de um colaborador cuja esposa grávida não conseguia dormir à noite, o que o obrigava a rodar de carro com ela até de madrugada para ela conseguir descansar.

A partir daquela conversa, a empresa passou a mapear rede de apoio social gratuita perto da casa de cada colaborador, como psicólogo, igreja e posto de saúde, e criou a sala de descanso no escritório.

"Como é que um cara chega para trabalhar no dia seguinte? Como é que ele vai exercer uma atividade de risco, em altura, ou com eletricidade?", questionou.

Regras básicas de saúde para quem lidera o negócio

Grimaldi disse tratar a saúde mental do empresário como uma fronteira que os negócios ainda não enfrentam, ao lado da NR-1, norma que trata de riscos psicossociais para empregados. Contou ter jornadas de 70 a 80 horas semanais, o dobro de um cargo CLT.

Para colaboradores e sócios, a receita que recomenda não custa dinheiro. "É dormir bem, ter o sono em dia, isso é obrigatório. Fazer atividade física, alimentação saudável, hidratação saudável, espiritualidade, relações estáveis", disse.

Contou o caso de um funcionário que pediu remédio para dor de cabeça e recebeu, em vez disso, a orientação para ir para casa dormir. "Quando você está com sono, tem que dormir, não adianta te dar remédio", afirmou ter respondido.

Quem precisar de apoio emocional pode ligar gratuitamente para o CVV, no 188, serviço de apoio disponível 24 horas em todo o Brasil.