A Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Findect) orientou nesta segunda-feira (14) a ampliação da greve por tempo indeterminado, com reforço de piquetes em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Maranhão. A paralisação, iniciada há quatro dias, ocorre enquanto os Correios aguardam decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) sobre um pedido para encerrar o movimento.

A greve começou às 22h de quinta-feira (10), por tempo indeterminado, depois de 35 assembleias aprovarem a paralisação. A Findect protocolou o dissídio no TST na sexta (11), após uma rodada de mediação terminar sem acordo e os trabalhadores rejeitarem a proposta da estatal.

A paralisação começou em nove estados e se espalhou pelo país nos dias seguintes. Consumidores enfrentam atrasos em Sedex, PAC e correspondências simples desde então.

Pequenos vendedores que dependem do PAC e do Sedex para despachar produtos também sentem o efeito da greve, com prazos de entrega mais longos em todo o país.

O que motiva a greve dos Correios?

O centro do impasse é a mudança no plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes. A Findect diz que a proposta pode "aumentar o custo para os empregados e colocar em risco a manutenção da assistência médica".

Os Correios afirmam manter 78 das 80 cláusulas do acordo anterior e oferecer reposição integral do INPC em salários e benefícios. A estatal diz que a proposta busca equilibrar direitos dos empregados com a recuperação financeira da companhia.

Por trás da disputa está uma crise financeira profunda. A estatal soma 15 trimestres seguidos no vermelho e fechou o primeiro semestre com prejuízo de R$ 5,6 bilhões. Os Correios pediram à União aval para um novo empréstimo de R$ 7 bilhões.

A crise já levou os Correios a fechar, em abril, um programa de demissão voluntária com adesão de apenas 3,07 mil trabalhadores, 30,7% da meta. A medida deve gerar economia de R$ 420 milhões por ano.

O impasse tem raiz na mesma crise. A necessidade de cortar custos que move a proposta da empresa é o mesmo motivo que faz os trabalhadores temerem perder direitos.

A Findect reforça piquetes em São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Santos, Maranhão e Mato Grosso do Sul a partir desta segunda, além de manter a mobilização nos demais estados.

O que acontece agora

O TST ainda não decidiu o dissídio coletivo apresentado pelos Correios. Enquanto isso, consumidores devem seguir enfrentando atrasos em Sedex, PAC e correspondências, sem previsão de normalização dos serviços.