A crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) está ofuscando o debate eleitoral a um mês do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro. A avaliação é de seis entidades da sociedade civil ouvidas pela Agência Brasil. As disputas entre ministros da Corte dominam o noticiário e deixam temas estruturais em segundo plano.
"O debate eleitoral está prejudicado porque, no primeiro plano, as atenções estão todas voltadas para os reflexos da atual crise institucional do Poder Judiciário", diz Samira de Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Para Francilene Garcia, presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), "há uma lacuna imensa em relação a outros temas fundamentais que deveriam estar no centro do debate político-eleitoral, como a ciência".
As seis entidades ouvidas convergem no mesmo diagnóstico. O debate eleitoral perdeu a pluralidade de temas que caracterizava disputas anteriores.
Quais temas ficaram fora do debate?
Educação, ciência, clima, minerais estratégicos e territórios indígenas estão entre os temas escanteados, segundo as entidades ouvidas. Rita Serrano, presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), cita o fim da escala 6x1, geração de emprego e negociação coletiva no setor público.
Alcebias Constantino, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), cita a demarcação de territórios como pauta ausente. A entidade vai apoiar 56 candidaturas nestas eleições, somando 33 a deputado estadual, 19 a federal, duas ao Senado, uma a governador e uma suplência.
Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, diz que poucos candidatos citam a crise climática entre suas prioridades. Ele cita ainda a exploração de minerais críticos como tema ausente do debate.
O que alimenta a crise institucional?
A crise tem como pano de fundo a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, e pedidos de impeachment contra ministros do STF. Levantamento anterior mostrava que a maioria dos brasileiros vê poder excessivo no STF, percepção estável desde abril.
Enquanto o Judiciário concentra as atenções, o PT reforça a campanha nas ruas e o PL mira o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, movimentos que aprofundam o embate em torno da Corte.
Um dos temas citados como escanteados, a exploração de minerais críticos, tramita no projeto que prevê R$ 7 bilhões em incentivos, ainda parado no Senado.
O que acontece agora?
O primeiro turno das eleições de 2026 é em 4 de outubro. As entidades ouvidas dizem esperar que os temas hoje escanteados, como clima, educação e territórios indígenas, ainda apareçam nos debates de campanha até lá.


























