O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu neste domingo (30) em São Paulo o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, para tratar de segurança pública. Pré-candidato à Presidência, ele defendeu criar 500 mil vagas em presídios e cinco unidades de segurança máxima inspiradas no modelo do presidente salvadorenho Nayib Bukele.
Tem pouco preso no Brasil, tinha que ser mais, só não tem mais porque a legislação é frouxa, então por isso nós vamos criar mais meio milhão de vagas em presídios
afirmou Flávio a jornalistas após o encontro, que também reuniu os senadores Sergio Moro e Guilherme Derrite e os deputados André do Prado e Gil Diniz. Villatoro não deu entrevistas, alegando protocolo diplomático por El Salvador estar em período eleitoral.
Além das vagas, o pacote inclui o fim da progressão de regime para crimes hediondos, castração química para condenados por estupro e redução da maioridade penal. Um complexo federal seria destinado a líderes de facções como PCC e Comando Vermelho.
Por que o modelo salvadorenho divide opinião
O Brasil soma 964.668 presos, o terceiro maior contingente carcerário do mundo, atrás de Estados Unidos e China, segundo o Atlas Brasileiro de Segurança Pública de 2025. O levantamento aponta déficit de 281.213 vagas, alta de 18,3% sobre 2024.
Organismos internacionais de direitos humanos contestam a política de encarceramento em massa de Bukele. A ONG salvadorenha Cristosal contabilizou 174 detentos torturados ou mortos desde 2022 no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot).
Um estudo de juristas internacionais concluiu que a política pode configurar crimes contra a humanidade, por prisões arbitrárias e mortes sob custódia.
A inspiração de Flávio mira um sistema que a ONU já descreveu como um "poço de aço" que despacha presos sem aplicar formalmente a pena de morte.
As propostas não são inéditas: Flávio já as havia apresentado em julho, dentro do seu plano de governo. A novidade de domingo foi buscar publicamente, ao lado do ministro salvadorenho, inspiração operacional para um modelo que críticos classificam como violação de direitos humanos.
O que acontece agora
O encontro ocorre em meio à disputa presidencial, marcada por acusações cruzadas entre os principais nomes da campanha. Na sabatina da Globo, na sexta-feira (28), uma checagem de fatos já apontou erros nas falas de Flávio.
O senador também defende outras bandeiras na corrida ao Planalto. Entre elas está concluir a usina de Angra 3 com dinheiro privado e liberar a exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
O tema não é exclusividade da oposição: em junho, o governo Lula anunciou a intenção de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima, dentro do próprio plano federal de segurança.
No PL, a pauta carcerária também está na campanha mineira, onde o pré-candidato ao governo de Minas Gerais Flávio Roscoe propôs ampliar vagas em presídios por parcerias público-privadas.
Em nível federal, Flávio Bolsonaro não detalhou custo ou cronograma para as 500 mil vagas que promete, e a proposta dependeria de aprovação do Congresso caso ele seja eleito.


























