O ministro Dias Toffoli, relator do caso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), retirou da pauta desta segunda-feira (31) o julgamento da candidatura de Renan Santos à Presidência. Em despacho publicado na noite deste sábado (29), Toffoli apontou indícios de ilicitude na declaração de perfis de redes sociais da chapa do partido Missão.
Segundo o despacho, a chapa formada por Renan Santos e pelo vice Aroldo Medina enviou o registro de candidatura à Justiça Eleitoral em 7 de agosto.
Em petições de 19 de agosto, complementou o registro informando 18 perfis em redes sociais (Instagram, TikTok, YouTube e Facebook), entre eles contas ligadas ao candidato como "Onça Viral" e "Jaguatirica Hub".
"Em petições apresentadas em 19/8/2026, os candidatos componentes da chapa, Renan Antônio Ferreira dos Santos e Aroldo Medina, informaram o total de 18 perfis em redes sociais, como complementação às informações do registro, enviado à Justiça Eleitoral em 7/8/2026", escreveu Toffoli no despacho.
A legislação eleitoral dá às campanhas um prazo de 48 horas após o registro para declarar endereços eletrônicos que já existiam antes, mas não haviam sido informados. No caso do Missão, os 18 perfis chegaram ao TSE fora do prazo de 48 horas.
Por isso, Toffoli citou os artigos 57-B da Lei das Eleições e dois dispositivos das resoluções 23.609 e 23.610 do próprio TSE. Procurada pela imprensa, a equipe de campanha de Renan Santos não respondeu até a divulgação da decisão.
Renan Santos, de 41 anos, é fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e preside o Missão, partido aprovado pelo TSE em novembro de 2025. Empresário natural de Vinhedo (SP), ele nunca ocupou cargo eletivo antes desta candidatura.
Na campanha, já defendeu o fim da CLT e chamou de "maluquice" o fim da escala 6x1, tentando se colocar como alternativa a Lula e a Flávio Bolsonaro (PL).
A força de Renan Santos como candidato vem, em boa parte, do trabalho digital que ele construiu desde os tempos de ativismo no MBL. São esses mesmos canais que agora estão no centro da controvérsia levantada pelo TSE.
Foi por meio deles, e não de uma estrutura partidária tradicional, que o Missão tentou viabilizar a candidatura à Presidência.
Não é o único registro sob escrutínio
Renan Santos não é o único nome sob análise mais dura da Justiça Eleitoral neste ciclo. O Partido Novo já acionou o TSE para tentar barrar a candidatura de Pablo Marçal à Presidência, em processo que corre em paralelo no tribunal.
A TV Sim Brasil informou na sexta-feira (29) que o TSE marcara para esta segunda-feira o julgamento de 13 registros à Presidência. O de Renan Santos era um deles, e é o que sai da pauta agora; os outros 12 seguem para análise.
O que acontece agora
O TSE vai examinar as informações retificadas sobre os 18 perfis e ouvir a defesa do Missão antes de remarcar o julgamento, sem data definida até esta publicação. O adiamento não significa que a candidatura foi barrada, apenas abre um novo capítulo de análise.


























