Marcos Silas Neves de Souza, fundador do Cartel do Sul e apontado como um dos maiores traficantes de cocaína do país, foi encontrado morto neste domingo (30) no presídio federal de segurança máxima de Brasília. Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), ele foi localizado desacordado na cela durante a rotina matinal e não resistiu.

Silas, de 42 anos, era conhecido nos meios criminosos como "Patrão" ou "Amigo". Ele fundou o Cartel do Sul, organização baseada no Paraná que rompeu com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A facção passou a operar de forma independente no tráfico internacional de cocaína, com atuação também em Santa Catarina e São Paulo. A mesma facção teve outro traficante preso em Santos no fim de agosto.

A prisão de Silas aconteceu em 2021, quando ele foi capturado em uma clínica de cirurgia plástica na avenida Paulista, em São Paulo. Ele planejava alterar a fisionomia do rosto para dificultar a identificação e tinha três mandados de prisão em aberto no Paraná.

A operação reuniu o DHPP paulista e a equipe Tigre, da Polícia Civil paranaense. A Polícia Federal identificou cerca de 260 imóveis ligados a Silas, a maioria no litoral de Santa Catarina, comprados com dinheiro do tráfico.

As investigações também apontaram uso de documentos falsos e posse ilegal de armas. Depois da prisão, ele passou por unidades de segurança máxima em mais de um estado.

Em 2022, foi transferido para o presídio federal de Campo Grande (MS) e, na sequência, encaminhado para a unidade de Brasília, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda.

Segundo a Senappen, Silas foi encontrado desacordado durante a primeira rotina de revista e distribuição do café da manhã. Uma equipe de atendimento foi acionada, mas o óbito foi constatado no local.

Em nota, a secretaria informou que as circunstâncias da morte serão apuradas.

"As circunstâncias da morte deverão ser apuradas"

A pasta atribui o caso a suicídio.

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O que os números mostram

O caso se soma a uma estatística que cresce no país. O sistema penitenciário brasileiro registrou 3.318 mortes em 2025, o maior número da série histórica iniciada em 2016, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Foram 202 suicídios de presos no ano passado, taxa três vezes mais alta do que a registrada na população em geral.

Mortes por causas naturais e problemas de saúde continuam sendo a principal razão dos óbitos no sistema prisional, com 1.622 casos em 2025, quase metade do total.

O número de suicídios chama atenção nas unidades de segurança máxima, onde presos como Silas cumprem pena isolados da população carcerária comum.

O caso reacende o debate sobre o combate às facções, tema que o STF discutiu em audiência pública com 48 especialistas sobre a Lei Antifacção, no fim de agosto.

O que acontece agora

A Senappen abriu apuração interna para esclarecer as circunstâncias da morte dentro da penitenciária federal de Brasília, unidade que reúne presos classificados como de alta periculosidade. O corpo de Silas segue os trâmites de liberação para a família, conforme praxe do sistema penitenciário federal.

Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 188 e pelo chat em cvv.org.br.