Cinco das maiores redes de varejo do Brasil fecharam, juntas, mais de 1,1 mil lojas físicas desde o fim de 2022. Casas Bahia, Americanas, Carrefour, Marisa e Magazine Luiza reduziram unidades enquanto o comércio eletrônico ganhou espaço nas compras dos brasileiros.
A Casas Bahia, então chamada Via, tinha 1.133 lojas no fim de 2022. Se o plano atual for cumprido, a rede terá encolhido em cerca de 400 pontos em menos de quatro anos.
A Americanas foi de 1.803 para 1.470 lojas entre o fim de 2022 e dezembro de 2025, período marcado por recuperação judicial.
O Carrefour reduziu sua rede de 1.203 para cerca de mil unidades durante a integração do Grupo BIG. A Marisa fechou 104 lojas e terminou 2025 com 230 pontos.
O Magazine Luiza chegou a junho deste ano com 1.246 lojas, 93 a menos que no fim de 2022.
Por que as lojas físicas encolhem
As vendas online movimentaram R$ 423 bilhões em 2025, alta de 21% sobre o ano anterior, e já respondem por 14,4% do varejo brasileiro.
Cada loja fechada tende a empurrar mais um cliente para o aplicativo ou o site da própria rede, num ciclo que se retroalimenta.
O movimento também aparece no mercado de trabalho: o comércio varejista eliminou 46 mil vagas líquidas em 2026, na contramão do restante da economia.
Só no primeiro semestre, lojas de vestuário e acessórios cortaram 30,9 mil postos, mais de dois terços do saldo negativo do setor. Calçados perderam 11,3 mil vagas, e supermercados e hipermercados, 5,6 mil.
Juros altos, a economia perdendo força e o crescimento das apostas esportivas online somam-se à migração para o e-commerce como explicação do fenômeno. Um especialista da consultoria 4intelligence projeta saldo líquido de vagas formais próximo de zero no comércio em 2026.
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O que acontece agora
O caso mais crítico é o da Casas Bahia: a companhia está em proteção judicial de 180 dias contra credores e prevê fechar 298 lojas. O grupo também deve demitir cerca de 3.000 funcionários dentro do plano de reestruturação.
O setor de alimentação fora do lar sente aperto parecido: a dona do Habib's e do Ragazzo entrou em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões no fim de agosto.
Especialistas ouvidos em outra reportagem já haviam apontado que a crise do varejo não se explica só pelos juros altos, mas por uma mudança estrutural no hábito de consumo.


























