Um estudo internacional liderado pela Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, começou a recrutar voluntários no Brasil em busca de alvos terapêuticos para a cura da hepatite B. A pesquisa reúne grupos do Brasil, Índia, Senegal e Uganda, e vai acompanhar 600 pacientes por cerca de 4 anos e meio cada.
No Brasil, o estudo é conduzido pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e pela Universidade de São Paulo (USP). São 150 voluntários brasileiros, dos quais 75 estão sob acompanhamento direto da equipe da pesquisadora Tânia Reuter.
A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global.
A frase é de Tânia Reuter, professora da Hucam-Ufes e coordenadora da equipe brasileira. Segundo ela, a meta da Organização Mundial da Saúde é eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.
Os pesquisadores vão analisar o comportamento do vírus e a resposta imunológica dos pacientes, incluindo os coinfectados por hepatite B e HIV, em busca de alvos terapêuticos como imunoestimuladores e imunomoduladores.
O recrutamento no Brasil começou em julho. Até agora, 40 dos 75 voluntários da equipe de Reuter já foram inscritos, com meta de completar o grupo até o fim de 2026.
O tamanho do problema no Brasil
Entre 2000 e 2022, o Brasil registrou 276,6 mil casos confirmados de hepatite B, segundo o Ministério da Saúde. A doença é transmitida por sangue, relação sexual sem proteção ou de mãe para filho durante a gestação.
O país já eliminou a transmissão de mãe para filho e pediu certificação internacional por esse avanço, em julho. O novo estudo chega em um momento de avanço recente contra a doença no Brasil, não do zero.
Ele também vai olhar para pacientes coinfectados por HIV, tema que ganhou força depois de dois casos de remissão sustentada do HIV serem anunciados em conferência no Rio, também em julho.


























