O Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou nesta segunda-feira (28) o visto de 27 autoridades e ex-autoridades da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, sob acusação de corrupção ligada ao narcotráfico. A medida mira integrantes do Escudo das Américas, aliança de Trump.
O Brasil não faz parte dela.
A maioria dos atingidos é boliviana: doze pessoas tiveram o visto cancelado e outras nove, que não possuíam visto, passaram a ser consideradas inelegíveis. Entre os nomes está o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca.
Os EUA acusam Mariaca, sem apresentar condenação, de aceitar propina para facilitar o narcotráfico.
"Prejudicar um governo democraticamente eleito é uma ameaça à segurança e ao Estado de Direito nas Américas e não será tolerado", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Thomas Pigott.
Por que o Brasil não está na lista?
O Brasil não está na lista porque não integra o Escudo das Américas, a coalizão que Trump lançou em março de 2026, na Flórida, e que hoje reúne 19 países. Colômbia e Peru só aderiram depois, ao eleger líderes de direita.
Brasil e México seguem de fora. A analista Sandra Pellegrini avalia que essa exclusão reforça a leitura de que o critério é menos técnico do que parece.
Segundo ela, a seleção tem menos a ver com um combate estritamente operacional ao narcotráfico e mais com afinidades políticas e ideológicas entre governos. O secretário de Estado Marco Rubio visitou Colômbia, Equador e Peru neste mês prometendo apoio dos EUA contra o tráfico.
Por que as facções brasileiras foram sancionadas mesmo assim?
Mesmo fora da aliança, o Brasil não escapou de uma ação relacionada a ela: em 22 de setembro, em Nova York, o Escudo das Américas anunciou sanções contra 24 organizações criminosas, entre elas o PCC e o Comando Vermelho.
Os EUA e outros 14 países classificaram os grupos como redes "narcoterroristas armadas" e preveem congelamento de ativos e restrição de vistos a quem der apoio material a elas.
O PCC e o Comando Vermelho já estavam na lista antiterror dos EUA desde setembro, mas o Brasil não assinou o comunicado de 22/09, porque segue fora do bloco.
No mesmo dia em que Trump reuniu os aliados do Escudo das Américas, o presidente Lula discursou na ONU e defendeu que o país agisse sozinho contra o crime organizado.
O Brasil vai "combater o crime organizado por conta própria e ampliar a cooperação internacional sem a presença de forças militares estrangeiras", disse Lula, que também defendeu a soberania dos países latino-americanos.
A fala segue a linha que o governo brasileiro já vinha adotando ao recusar formalmente o Escudo das Américas, embora tenha topado cooperar pontualmente contra as facções.
O que a ausência do Brasil sinaliza
O país fica de fora tanto das sanções de hoje quanto da aliança que as originou. Ainda assim, suas próprias facções entraram na lista de organizações classificadas como narcoterroristas por decisão de outros governos.
O Brasil segue recusando esse mesmo enquadramento para o PCC e o Comando Vermelho. Fica em aberto até quando cooperar sem aderir e discordar do rótulo vão conviver sem atrito direto com Washington.




















































