O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, em entrevista à Band exibida neste domingo (27), a criação de uma "polícia especial" para combater o crime organizado, ligada a um novo Ministério da Segurança Pública ainda dependente de aprovação no Congresso.

Essa Força Nacional é boa, mas não é suficiente. Nós precisamos de uma Força Nacional preparada para ser Força Nacional, com soldados preparados.

Lula criticou o modelo de intervenções federais já usado no país. Segundo ele, tropas resolvem por um tempo, mas o problema volta assim que saem: "Quando levava o Exército para lá para fazer intervenção, os bandidos saíam. Quando o exército saía, os bandidos voltavam."

O que já existe e o que ainda falta

O plano de Lula depende de uma emenda constitucional que já passou pela CCJ, mas cujo texto o Senado só deve votar depois das eleições de outubro. Sem a PEC aprovada, o Ministério da Segurança Pública citado por Lula não existe.

A proposta também define de onde sai o dinheiro para os estados, ponto que travou o texto no Congresso. Lula defende a "asfixia financeira" das facções, que classifica como "indústria multinacional".

O discurso ecoa a Operação Carbono Oculto, que apontou R$ 52 bilhões movimentados pelo PCC em três fases, incluindo o setor bancário.

O presidente também rejeitou a classificação de PCC e Comando Vermelho como terroristas, decisão dos Estados Unidos: "É o terrorismo do Trump. O terrorismo do Trump é o terrorismo de Estado." O Brasil não está na lista de um relatório americano sobre o tema.

Sobre ações policiais letais, Lula citou a operação recente no Rio de Janeiro e o Massacre do Carandiru, de 1992, em São Paulo: "O governador até pega popularidade naquela semana, mas aquilo não dá resultado."

O ponto em aberto

Lula já classificou intervenções federais anteriores como insuficientes, mas a Força Nacional reforçada que ele descreve depende de reforma ainda sem data para votação no Senado. A pergunta que fica é se o modelo terá apoio para sair do papel.