A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Amanda Roberson, disse à CNN nesta quarta (23) que o Brasil ainda não confrontou o PCC e o Comando Vermelho o suficiente. Os EUA já identificaram os grupos em pelo menos 12 estados americanos.
“Acreditamos que o Brasil ainda não confrontou estes grupos suficientemente, então gostaríamos de ver o Brasil tomar medidas mais agressivas”, disse Roberson.
Segundo a porta-voz, os dois grupos “estão causando muita violência, um impacto bastante perigoso, não só no Brasil, mas aqui nos Estados Unidos”.
Por que os EUA aumentaram a pressão agora
A cobrança aparece dias depois de os EUA formalizarem o chamado Escudo das Américas, acordo que classifica o PCC e o Comando Vermelho como ameaça compartilhada entre Washington e outros 14 países latino-americanos alinhados a Trump.
O acordo permite bloqueio de bens, restrição migratória e veto de visto contra integrantes das facções designadas. Ao todo, os EUA já classificaram 22 grupos como organizações terroristas só neste hemisfério, segundo Roberson.
O Brasil não assinou o acordo. Dias antes, 14 países já haviam classificado as duas facções como organizações terroristas, e o país ficou de fora da lista.
Como o Brasil reagiu à pressão
O governo brasileiro recusou formalmente aderir ao Escudo das Américas, mas afirma que já coopera com os EUA no combate às duas facções. Diplomatas classificam o acordo, internamente, como uma possível porta para interferência estrangeira em setores estratégicos.
Em discurso na Assembleia Geral da ONU nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu o tom das pressões dos EUA sobre a região.
Não precisamos de porta-aviões vigiando as nossas águas.
Lula também disse que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e defendeu parcerias com “agenda positiva, fomentando o desenvolvimento”.
A discussão soma-se a outro atrito recente. Trump chamou cartéis latino-americanos de “Estado Islâmico” e defendeu ação militar direta contra eles. A ameaça já preocupa o governo brasileiro, que reforça sua soberania sobre operações em território nacional.













































