O presidente Lula (PT) prometeu nesta quarta-feira (23) banir as apostas esportivas online e disse que quer 'ganhar a narrativa' do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em ato de campanha no Rio de Janeiro com artistas como Chico Buarque.
O evento, batizado de 'Cultura com Lula', na Fundição Progresso, reuniu mais de 35 artistas — entre eles Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho e Marieta Severo —, além da primeira-dama Janja Lula da Silva e da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Segundo o Poder360, a expectativa do Planalto era reunir cerca de 1.000 pessoas no espaço.
A cantora Daniela Mercury improvisou um apelo contra as apostas ao discursar no palco: "Parabéns pela campanha contra as bets. A bet para mim é uma bomba. Parece que as bets foram liberadas para desmanchar o Brasil. A gente precisa acabar com as bets", disse.
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), também cobrou o fim das apostas online. Ele lembrou que o Rio foi a primeira cidade do país a proibir a publicidade das plataformas de apostas em locais públicos.
"A primeira medida que o senhor vai tomar depois de ser eleito vai ser acabar com as bets. Poderíamos estar fazendo uma reunião dentro de uma igreja, de uma fábrica ou na casa de qualquer família brasileira, a reação será a mesma", disse Cavaliere.
O público vaiou Cavaliere no momento em que ele defendeu o voto no deputado Pedro Paulo (PSD) ao Senado. A plateia gritou o nome da vereadora Mônica Benício (PSOL). A ausência de outros nomes do partido já foi registrada horas antes pela TV Sim Brasil.
Lula reafirmou a promessa de banir as bets e criticou os clubes de futebol que se posicionaram contra a medida.
"Nós vamos acabar com as bets. E os times que aprendam a virar times de empresários. Nós aprovamos as SAFs. Essa não é uma guerra, é uma decisão. Isso também é cultura", disse o presidente.
A fala reforça o que Lula já havia sinalizado horas antes, ao cogitar assinar uma medida provisória contra as apostas esportivas assim que voltou da ONU.
A resposta a Trump depois da ONU
Lula citou o discurso do republicano na Assembleia Geral da ONU, na terça (22), para dizer que prefere disputar a narrativa a entrar em confronto direto com os Estados Unidos. O presidente foi o primeiro a discursar na Assembleia, tradição brasileira desde 1955.
Na comparação com o republicano, Lula minimizou a ideia de confronto direto.
Eu, como sei do meu tamanho, eu não quero fazer guerra com ele, eu quero ganhar dele na narrativa. E nós estamos ganhando na narrativa.
A disputa por espaço na narrativa internacional virou um dos eixos da campanha de Lula à reeleição.
Horas antes, na abertura da 81ª Assembleia Geral, o presidente disse que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém" e que "as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites". O trecho foi lido como resposta indireta às pressões dos Estados Unidos.
Na ONU, Lula também criticou o poder de veto das grandes potências no Conselho de Segurança, apontado por ele como fonte da paralisia do órgão diante de guerras como as de Gaza e da Ucrânia.
Ele também defendeu o Pix diante de pressões por privatização do sistema de pagamentos.
O que acontece agora
A medida provisória contra as bets ainda não tem data de publicação confirmada. Lula segue a agenda de campanha com atos pelo país nas próximas semanas e tenta transformar a comparação com Trump em um dos temas centrais da corrida à reeleição.
A disputa em torno das apostas também tramita no Judiciário. O STF já analisa uma decisão do ministro Dino sobre bets em Minas Gerais com efeitos que ultrapassam o estado.











































