Pacientes que trocaram as injeções semanais contra a obesidade pelo comprimido diário do Wegovy continuaram perdendo peso, segundo dados apresentados nesta quarta-feira (30) em um congresso médico em Milão. A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk tenta, com a pílula, recuperar terreno da rival Eli Lilly.
Os participantes perderam, em média, 4,1% do peso corporal em três meses após trocar as injeções, incluindo o próprio Wegovy e o Zepbound, da Lilly, pela semaglutida oral. Em números absolutos, a perda média foi de 4 kg, partindo de 100,5 kg.
"Tem havido muitas dúvidas sobre se as pessoas conseguem aderir ao tratamento com o comprimido. Será que as pessoas realmente preferem o comprimido?", disse Martin Holst Lange, diretor científico da Novo Nordisk, em entrevista.
Segundo Lange, muitos pacientes apresentam resultados ainda melhores com o comprimido do que com os medicamentos injetáveis, o que ele classificou como "dados convincentes".

Os dados vêm de um estudo com 194 pacientes, em parceria com a empresa de telessaúde Ro. Por se tratar de um levantamento de vida real, baseado em parte em autorrelatos, os achados não estabelecem causalidade direta como um ensaio clínico randomizado.
No Brasil, a Novo Nordisk pediu a aprovação do comprimido de Wegovy à Anvisa em janeiro, com base em estudo de fase 3 que mostrou perda de cerca de 17% do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso. Não há previsão de lançamento no país.
Enquanto o Brasil espera o registro na Anvisa, a disputa pelos comprimidos de emagrecimento já movimenta bilhões de dólares no mercado internacional: no dia anterior, a Novo pagou até US$ 2,6 bilhões à chinesa Hengrui por outra pílula em desenvolvimento.
No mercado brasileiro, as canetas emagrecedoras movimentaram R$ 13,3 bilhões em um ano, com o Mounjaro, da Eli Lilly, na liderança. A brasileira EMS já vende uma versão nacional da caneta de semaglutida, mais barata que a importada.
O que acontece agora
A Anvisa ainda avalia o pedido de registro do comprimido de Wegovy no Brasil, sem prazo definido. A Novo Nordisk projeta que os comprimidos possam conquistar até metade do mercado global de medicamentos para obesidade, avaliado em US$ 100 bilhões por ano.































