O governo dos Estados Unidos já classificou 13 organizações criminosas latino-americanas como terroristas desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, incluindo as duas maiores facções do Brasil. O Departamento de Estado designou oito grupos em fevereiro e somou outros cinco nos meses seguintes.

Entre eles estão o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A inclusão das facções brasileiras foi anunciada em 28 de maio, com efeito a partir de 5 de junho de 2026.

No comunicado oficial, o Departamento de Estado descreveu CV e PCC como "duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil", com milhares de membros e ataques contra policiais, autoridades e civis.

A TV Sim Brasil já mostrou que o presidente Lula rejeitou publicamente a classificação um dia antes desta lista mais ampla vir a público.

O que muda para o Brasil

Na prática, virar Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês) abre caminho para sanções financeiras mais rígidas nos Estados Unidos e consequências legais para quem negociar com os grupos.

Segundo especialistas ouvidos pela CNN Brasil, a designação também pode preceder o uso de força militar americana. O Itamaraty já havia alertado, antes da designação, que a medida representa risco à soberania nacional.

A avaliação do Itamaraty é que a medida pode abrir caminho para o uso de força militar dos EUA e gerar impacto nas áreas financeira, migratória e penal do país.

Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, "o governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional".

Ele completou: "mantendo as drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de lucros que financiam os violentos narcoterroristas".

O governo brasileiro mantém posição contrária à do Departamento de Estado. Para o Itamaraty, CV e PCC são organizações voltadas ao lucro com atividades ilícitas, sem a motivação política ou ideológica que caracteriza terrorismo no direito internacional.

Brasil e México se opuseram à classificação das facções da região como terroristas. Equador e Honduras, ao contrário, se mostraram favoráveis à medida americana.

A lista de 13 grupos avança em paralelo a outra frente da política de Trump contra o narcotráfico na região.

Desde setembro de 2025, as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram pelo menos 75 ataques militares contra embarcações supostamente usadas no tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico.

Segundo o levantamento usado como base da reportagem original, essas ações já mataram pelo menos 227 pessoas.

CV e PCC surgiram em presídios brasileiros nas últimas décadas do século 20. Hoje atuam, segundo autoridades e organizações não governamentais, em narcotráfico, assassinatos, extorsões e no tráfico de diversos produtos, com presença que já ultrapassa as fronteiras do país.

O que acontece agora

O Itamaraty segue tentando reverter os efeitos práticos da designação por via diplomática, buscando fortalecer o diálogo bilateral com respeito à soberania nacional.

Não há, até o momento, sanção financeira ou ação militar dos EUA em território brasileiro atribuída diretamente à classificação de CV e PCC como FTO. A lista de 13 grupos deve continuar crescendo, já que o Departamento de Estado mantém abertas outras avaliações na região.