O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio informaram nesta quarta-feira (30) que os EUA devem enviar, nas próximas semanas, proposta para negociar o fim do tarifaço de até 37,5% sobre produtos brasileiros. O anúncio veio após reunião em Milwaukee.
"O governo norte-americano deverá encaminhar, nas próximas semanas, um documento com uma proposta para o escopo dos trabalhos, contemplando questões tarifárias e não tarifárias", informou a nota conjunta dos dois ministérios.
Também foi acordada a criação de um grupo de trabalho para discutir um possível acordo. A reunião juntou o chanceler Mauro Vieira, o ministro Márcio Elias Rosa (MDIC) e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, à margem do G20 de comércio em Milwaukee.
Como foi o encontro entre os ministros e Greer
O encontro começou por volta das 9h10 no horário local e durou cerca de 40 minutos: dez minutos só entre os três chefes de delegação e mais 30 minutos com assessores dos dois países, segundo apuração da Cruzeiro FM.
Vídeos divulgados pelo MDIC mostram os ministros brasileiros e Greer sorrindo, e fontes ouvidas pela reportagem descreveram o clima do encontro como bom. Foi o primeiro contato presencial entre as partes desde a aplicação das tarifas.
O tarifaço soma ao todo 37,5% sobre produtos brasileiros.
A fatia de 25% decorre de suposta prática comercial desleal, citando PIX, etanol e propriedade intelectual; os outros 12,5% vêm da alegação de falha no combate a produtos ligados a trabalho forçado.
O que já tinha acontecido antes desta reunião
Brasil e EUA retomaram as conversas em agosto, depois de uma ligação entre Lula e Trump em que o americano concordou em reabrir as tratativas.
O Brasil também abriu consultas na Organização Mundial do Comércio, que abriu prazo de 60 dias para as partes chegarem a um consenso.
Sem acordo dentro do prazo, qualquer um dos dois países pode pedir painel de julgamento na OMC. A China pediu formalmente para participar do processo, mas os EUA já a haviam barrado de consultas anteriores sobre o caso.
Durante as negociações anteriores, representantes do governo brasileiro afirmaram que os americanos desconsideraram os argumentos técnicos, levando o Brasil a considerar que as medidas tiveram caráter político, e não comercial.
O que acontece agora
O próximo passo é o envio do documento americano com a proposta de negociação, ainda sem data exata, mas prometido para "as próximas semanas". O grupo de trabalho criado nesta quarta vai discutir tanto as questões tarifárias quanto as não tarifárias citadas pelos dois governos.






























