O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (30) que não se preocupa se Donald Trump demorar a reconhecer uma eventual vitória sua na eleição presidencial de outubro. Em entrevistas a dois podcasts, Lula afirmou que exige apenas "respeito" do republicano.
A fala chega dois dias depois de três senadores democratas dos EUA, Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch, enviarem carta ao secretário de Estado Marco Rubio.
Eles cobram que o governo Trump se comprometa a reconhecer o resultado oficial da eleição brasileira de 2026.
A carta também pede que Washington mantenha relações diplomáticas normais com o vencedor do pleito, seja ele quem for, segundo apuração do g1.
Ninguém precisa gostar de mim, só precisa ter uma relação civilizada respeitando soberania do país.
A declaração foi dada ao podcast Cosmo Política. Lula disse ainda que não teme atraso de líderes da América do Sul no reconhecimento do resultado. "Todos os países têm boa relação com Brasil", afirmou, segundo o Valor Econômico.
O que motiva a cobrança dos senadores dos EUA
Os senadores citam a indicação de Darren Beattie para assessor sênior de assuntos brasileiros no Departamento de Estado como sinal de interferência. O governo brasileiro já havia cassado o visto de Beattie para entrar no país.
A carta é a mais recente de uma série de cobranças de parlamentares dos EUA contra a postura de Trump em relação ao Brasil. Segundo a CartaCapital, o documento também cita a imposição de tarifas extraordinárias como parte da pressão atribuída à Casa Branca.
Rubio não se manifestou publicamente sobre a carta até a publicação desta matéria.
Em entrevista ao canal Normose, Lula chamou Trump de "sui generis". "Muitas vezes não diz nada com nada, você conversa com ele e parece que não conversou", disse o petista, que classificou a relação pessoal com o republicano como boa apesar disso.
O presidente repetiu que já pediu a Trump para não interferir no processo eleitoral brasileiro. Ele disse ter alertado o americano sobre o resultado da disputa.
"Falei para ele não se meter nas eleições do Brasil, porque ele vai perder as eleições", afirmou, citando o candidato Flávio Bolsonaro, que disputa o Planalto pelo PL.
Lula também criticou o que chamou de "complexo de vira-lata" de presidentes latino-americanos que esperam ajuda de países ricos, citando os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem como exemplos do comportamento que diz rejeitar.
O que acontece agora
A carta dos senadores democratas segue sem resposta pública de Rubio ou do Departamento de Estado. O primeiro turno da eleição presidencial brasileira está marcado para outubro, e é só depois da apuração que o reconhecimento internacional do resultado vira tema concreto entre os governos.






























