Lula discursou na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) e alertou contra a interferência externa nas eleições brasileiras de outubro. Nesta quarta (23), a campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao TSE que proíba o uso do discurso na propaganda eleitoral.
É a 81ª Assembleia Geral da ONU, e o Brasil abre a sessão desde 1955, tradição mantida nesta edição. Lula criticou a atuação do Conselho de Segurança e disse que a credibilidade da organização "nunca esteve tão baixa".
O Brasil não cabe no quintal de ninguém.
Lula usou a frase durante o discurso, em trecho sobre soberania e disputa por recursos naturais que recebeu aplausos da plateia reunida no plenário da ONU.
A cobertura internacional deu destaque ao alerta de Lula contra a interferência eleitoral. Reuters, Bloomberg e AFP associaram a fala ao contexto de pressão do governo de Donald Trump sobre o Brasil.
O jornal argentino Clarín citou a crítica de Lula à ONU. A La Nación destacou o trecho sobre ameaças à democracia.
O que a campanha de Flávio pede ao TSE
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pede que o TSE proíba Lula de usar trechos do discurso na propaganda eleitoral. Segundo o pedido, apresentado nesta quarta (23), a fala foi "completamente desvirtuada e desnaturada, convertendo-se em palanque político para promoção pessoal e finalidade eleitoreira".
O pedido cita uma decisão do TSE de 2022, que proibiu Jair Bolsonaro de usar imagens do próprio discurso na Assembleia Geral da ONU em material de campanha. A campanha de Flávio argumenta que o mesmo entendimento deve valer para Lula agora.
O mesmo discurso que ganhou elogio da imprensa internacional virou alvo de disputa na Justiça Eleitoral horas depois, em plena reta final da campanha presidencial.
Análises publicadas por veículos regionais avaliaram que o discurso combinou política externa tradicional com temas eleitorais, às vésperas da eleição de outubro.
Para bolsonaristas, segundo a mesma cobertura, soberania significa recuperar o país de "forças internas" que responsabilizam pelo declínio político do Brasil. É leitura oposta à que Lula deu à palavra no discurso.
Lula também defendeu o Pix como infraestrutura pública de inclusão financeira, criticando pressões de multinacionais contra o sistema.
No discurso, classificou como genocídio as operações do governo de Benjamin Netanyahu em Gaza e condenou o terrorismo do Hamas. Defendeu ainda a diplomacia como única saída para a guerra na Ucrânia e chamou de ilegal o embargo dos Estados Unidos a Cuba.
O discurso ocorre em meio à tensão entre Brasília e Washington. Reportagem da TV Sim já mostrou por que a alegação de Trump sobre a América Latina não fecha a conta.
Outra reportagem detalhou por que a relação com os Estados Unidos seria o maior desafio de um quarto mandato de Lula.
No mesmo dia da fala na ONU, o argentino Javier Milei atacou o petista e repetiu o apoio a Flávio Bolsonaro.
O que acontece agora
O TSE ainda não decidiu o pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A corte eleitoral já aceitou pedido semelhante em 2022, quando proibiu Jair Bolsonaro de usar imagens de seu próprio discurso na ONU na propaganda da época.
Lula não respondeu publicamente ao pedido até a conclusão desta apuração.









































