O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (18/9), no Rio, que não aceita a classificação das facções PCC e CV como terroristas, feita pelo governo dos Estados Unidos. Para ele, o verdadeiro terrorismo foi a trama golpista de 8 de Janeiro.
A fala ocorreu dois dias depois de a Casa Branca enviar ao Congresso americano um documento assinado pelo presidente Donald Trump. O texto chama PCC e CV de "organizações terroristas estrangeiras" e aponta o Brasil como centro de distribuição global de cocaína.
"Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala da luta pela briga pelo poder. Quem era isso? Era o Bolsonaro tentando dar o golpe de 8 de janeiro. Isso é terrorismo"
afirmou Lula, referindo-se ao plano golpista identificado pela Polícia Federal para manter Jair Bolsonaro (PL) no poder após a derrota nas eleições de 2022, que previa matar o próprio Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula comparou as facções ao terrorismo para quem vive sob domínio delas. "Estamos falando de terrorista na periferia. Porque esses bandidos são terroristas para a família que mora no bairro", disse, na mesma agenda em que lançou o plano contra facções no Rio.
O que diz o governo brasileiro
O governo brasileiro nega que PCC e CV sejam terroristas. Em maio, quando os EUA classificaram as facções, o secretário nacional de Segurança Pública já disse que o país não tem organizações terroristas, e sim criminosas infiltradas na sociedade.
A lei brasileira só reconhece como terrorismo o confronto violento contra o Estado por motivação religiosa ou racial, categoria que não se aplica ao crime organizado que disputa território e renda.
O que muda com o rótulo dos EUA
O rótulo americano abre caminho para ação mais ampla das agências de inteligência e antiterrorismo dos Estados Unidos contra as duas facções, que desde maio integram a lista de organizações terroristas estrangeiras mantida por Washington.
Na prática, o rótulo dá aos Estados Unidos margem para agir contra as facções com ferramentas de inteligência e antiterrorismo, inclusive fora do território brasileiro. O evento no Rio reuniu União, estado e prefeitura em três frentes de combate ao crime organizado.
O que acontece agora
Lula voltou a defender a PEC da Segurança Pública, já aprovada na CCJ do Senado, mas cuja votação em plenário ficou marcada para depois das eleições de outubro. Ele chamou a integração das polícias no Rio de "quase um plano piloto".
O atrito com Washington ocorre em meio a outras tensões: o governo brasileiro já havia reagido a exigências dos EUA ligadas à eleição.
O Brasil também argumenta que nem consta na lista de países citada em outro relatório de Trump sobre o tema.































