Os preços de alimentos subiram 1,99% na porta da fábrica em agosto, a maior alta desde novembro de 2024, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP) divulgado nesta quarta-feira (30) pelo IBGE. O resultado puxou a indústria geral para alta de 0,36% no mês.

Foi a terceira alta seguida do setor de alimentos, superada apenas pelos 2,18% de novembro de 2024. No ano, os preços do setor acumulam alta de 2,7%; em agosto de 2025, no mesmo intervalo, o setor ainda acumulava queda de 7,7%.

Em 12 meses, os preços de alimentos seguem em queda, de 0,38%, mas a deflação vem encolhendo: era de 9,92% em janeiro e de 2,92% em julho.

Fachada de supermercado
Fachada de supermercado (imagem de contexto). Foto: Andrevruas/Wikimedia Commons via Openverse (BY-SA)

Por que cada alimento subiu por um motivo diferente?

O arroz subiu porque a matéria-prima, o arroz em casca, ficou mais escassa diante de demanda forte, segundo o IBGE. O grão já vinha pressionado: em agosto, a saca já havia subido 22% em seis semanas, passando de R$ 73.

A carne bovina, item de maior peso no índice de alimentos, com 12,59% da amostra, subiu por causa da demanda externa e da depreciação de 0,8% do real frente ao dólar entre julho e agosto.

Os resíduos da extração de soja encareceram pela demanda global mais forte, em meio a previsões de clima desfavorável no Hemisfério Norte e no Sul. Três produtos, três motivos: escassez, câmbio e demanda externa empurraram o índice no mesmo mês.

A Abiove já havia reduzido, em setembro, sua previsão de exportação de soja pela primeira vez desde março, sinal de que a oferta do grão segue apertada.

As indústrias extrativas também pressionaram o índice geral, com alta de 4,33% em agosto, recuperando a queda de 4,38% de julho. Bens de consumo subiram 0,96%, enquanto bens de capital e intermediários ficaram praticamente estáveis.

O ponto em aberto

O IPP mede o preço na saída da fábrica, sem impostos nem frete, e não necessariamente aparece de imediato na prateleira do supermercado. Resta saber se a alta de agosto vai se refletir no bolso do consumidor nos próximos meses.

Outra dúvida é por quanto tempo essa pressão deve durar: uma projeção de clima desfavorável para 2027 já aponta novo risco para os preços de alimentos adiante.