A secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, disse nesta quinta-feira (17) que causa "perplexidade" a menção ao Brasil em relatório do governo Trump sobre o combate ao PCC e ao Comando Vermelho (CV), em fala no Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Segundo ela, o Brasil não está entre os 23 países que os Estados Unidos classificam como principais produtores ou rotas de tráfico de drogas.
O Brasil não consta. Então, o que causa perplexidade nesse documento é que não havia razão para citar o Brasil.
A secretária fez a declaração no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em São Paulo, promovido nesta quinta (17). Para ela, o documento é um retrato anual que não levou em conta medidas recentes do Brasil, como a Lei Antifacção.
O relatório, enviado pela Casa Branca ao Congresso americano na terça-feira (15), afirma que o Brasil não confrontou o PCC e o CV, facções que teriam "transformado o país em um centro para o fluxo global de cocaína".
O texto cobra do governo Lula "medidas enérgicas" contra as duas facções, incluídas neste ano pelos Estados Unidos na lista de organizações terroristas.
O que diz o governo Lula
Internamente, o governo Lula avalia que a crítica dos EUA é uma jogada eleitoral calculada e de baixo custo para Trump. A leitura do Planalto é que seria mais confortável do que aplicar a Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A ameaça de uma nova Magnitsky ganhou força após mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, já sancionado pelos EUA em 2025, e o banqueiro Daniel Vorcaro. Ela perdeu força quando surgiram mensagens de Vorcaro também com os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques.
Pesquisas recentes mostram apoio à medida americana. A Genial/Quaest indicou em junho que 60% dos brasileiros defendiam classificar PCC e CV como organizações terroristas, e a PoderData registrou 53% considerando a decisão dos EUA positiva para o país.
Para o Planalto, a percepção negativa de Trump e do secretário de Estado Marco Rubio no eleitorado brasileiro é o principal fator de contenção contra uma escalada. Uma nova tentativa de interferência dos EUA poderia acabar favorecendo Lula nas urnas.
É o mais recente episódio de uma disputa que já dura dias. Na terça (15), o Departamento de Estado acusou o Brasil de falhar no combate ao PCC e ao CV.
Na quarta (16), o Ministério da Justiça já havia rebatido as acusações em nota, afirmando que o país "refuta quaisquer alegações de falhas ou omissões" no combate ao crime organizado.
O impasse também toca a resistência brasileira em classificar as duas facções como organizações terroristas, tema que já divide o governo brasileiro e os Estados Unidos desde a decisão americana.






























