Uma delegação francesa e alemã esteve em Brasília entre 9 e 11 de setembro e recebeu da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) a confirmação de interferência dos Estados Unidos e da Rússia nas eleições brasileiras, revelou a Reuters nesta quarta-feira (30).
O primeiro turno das eleições ocorre neste domingo (4), em disputa acirrada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a Abin, a interferência dos EUA variou de ações judiciais a apoio abertamente reconhecido; a agência não detalhou a interferência russa.
A visita da delegação, até então não divulgada, tratou também da Lei de Serviços Digitais (DSA). O objetivo era preparar respostas coordenadas antes do pleito. Dela participaram a Viginum e a Arcom, da França, e a Agência Federal de Redes, da Alemanha.
O relatório da reunião não foi divulgado oficialmente pelos governos envolvidos.
O que os EUA e a Rússia dizem?
O Departamento de Estado dos EUA não respondeu ao pedido de comentário da Reuters para esta reportagem, mas já negou anteriormente qualquer tentativa de interferir nas eleições brasileiras. A embaixada russa no Brasil também não respondeu; Moscou nega historicamente interferir em pleitos de outros países.
Como isso aparece na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro?
A interferência apontada pela Abin ocorre numa eleição marcada por acusações cruzadas de influência externa, a poucos dias do primeiro turno. Antes da confirmação da agência, o governo Lula já via interferência dos EUA em quatro frentes da disputa.
Em ato de campanha no Piauí, no início de setembro, Lula disse publicamente que Trump deveria se meter no próprio país, e não no Brasil.
No campo doméstico, a americana Rockbridge Network, apontada como suposta financiadora da campanha de Flávio Bolsonaro, negou publicamente o financiamento na semana passada.
A autoridade de segurança cibernética presente à reunião disse que os ataques cibernéticos no Brasil quase dobraram em relação a 2025, com forte aumento de invasões e phishing contra a Presidência. Ela classificou o aumento como diretamente ligado ao calendário eleitoral.
O caso não é o único. Em setembro, a China também negou interferência e disse apoiar as eleições no Brasil, após acusações semelhantes.
O apoio do governo Trump a candidatos de direita não é exclusividade brasileira. Os EUA ofereceram pacote de ajuda financeira de até US$ 40 bilhões ao presidente argentino Javier Milei antes das eleições legislativas do país.
Na Hungria, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, viajou para apoiar a reeleição de Viktor Orbán. França e Alemanha também manifestaram preocupação com possível interferência em suas próprias eleições.
O que acontece agora
O primeiro turno acontece neste domingo (4), e a apuração deve mostrar se Lula ou Flávio Bolsonaro seguem a um eventual segundo turno. Abin, Departamento de Estado e Kremlin não deram novas declarações desde a revelação da Reuters.




















































