O Brasil ficou de fora do Escudo das Américas, aliança político-militar dos Estados Unidos que já reúne 14 países latino-americanos alinhados a Donald Trump. Os favoritos à Presidência em 2026, Lula e o senador Flávio Bolsonaro, divergem sobre se o país deve aderir ao bloco.
O Escudo das Américas nasceu como uma aliança de segurança contra o crime organizado, mas hoje também envolve minerais críticos, infraestrutura digital e investimentos estratégicos dos países-membros. Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru já integram o grupo.
Em setembro, o governo brasileiro recusou aderir à aliança, mas aceitou cooperar com os EUA contra facções criminosas por fora dela.
Flávio Bolsonaro defende posição oposta à do governo. Ele afirma que, se eleito presidente, vai trabalhar para incluir o Brasil no Escudo das Américas, o que apresenta como reforço ao combate ao crime organizado no país.
Na avaliação do governo, a aliança pode avançar, a médio prazo, sobre pontos estratégicos como minerais críticos e terras raras brasileiras, além de blindar investimentos dos Estados Unidos contra a presença de China e Rússia no país.
É essa leitura que sustenta a recusa em aderir ao bloco liderado por Washington.
"Hoje, a iniciativa combina segurança, coordenação diplomática e temas de segurança econômica, como minerais críticos, infraestrutura digital, investimentos e cadeias estratégicas. Por isso, eu evitaria tratá-lo apenas como uma coalizão antidrogas", avalia Eduardo Galvão, especialista em risco político e professor do Ibmec Brasília.
Quando segurança, tecnologia, investimentos e minerais críticos entram no mesmo arranjo, já não estamos falando apenas de combate ao crime. Estamos falando de geopolítica.
Quem vencer a eleição decide o grau de alinhamento do Brasil às prioridades de segurança dos Estados Unidos na região.
Um dos efeitos já concretos da aliança foi a extensão, a outros países-membros, da classificação de facções brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho na lista antiterror dos Estados Unidos, medida que os EUA já aplicavam sozinhos.
Nesta semana, 14 países latino-americanos que integram o Escudo das Américas assinaram uma declaração conjunta para combater 24 organizações classificadas como narcoterroristas. O Brasil ficou fora dessa articulação, enquanto a Argentina de Javier Milei se consolida como o parceiro mais próximo de Trump na região.
O tema já aparece nos planos de política externa do senador: Flávio Bolsonaro defende reformar o Itamaraty nos moldes do secretário de Estado americano, Marco Rubio, caso seja eleito.
O que muda depois de domingo (4/10)
O resultado da eleição de 4 de outubro decide qual será a política externa do próximo governo em relação ao Escudo das Américas: manter a resistência de Lula ou seguir a adesão prometida por Flávio Bolsonaro, caso ele vença a disputa.



















































