A dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto, informou o Banco Central nesta quarta-feira (30). É o terceiro mês seguido de alta, mas ainda abaixo do recorde da série, de 87,6% do PIB, atingido em dezembro de 2020.
Em valores nominais, a dívida saltou de R$ 10,947 trilhões em julho para R$ 11,055 trilhões em agosto.
A alta de 0,3 ponto percentual no mês veio principalmente dos juros. A apropriação de juros nominais empurrou o indicador para cima em 0,8 ponto.
O crescimento do PIB nominal puxou o indicador para baixo em 0,5 ponto, e a depreciação cambial somou mais 0,1 ponto no sentido contrário.
Por que a dívida sobe há três meses seguidos
Agosto marca o terceiro mês seguido de alta. A dívida bruta saiu de 81,9% do PIB em junho para 82,5% em julho e chegou a 82,9% em agosto, no mesmo relatório que o Banco Central divulga mês a mês.
No acumulado do ano, a dívida bruta avançou 4,2 pontos percentuais. A maior parte veio da incorporação de juros nominais (6,5 pontos) e de novas emissões líquidas de dívida (1,5 ponto), parcialmente compensada pelo crescimento do PIB nominal (-3,6 pontos).
Em julho, a dívida havia batido o maior nível em cinco anos, ao passar de 82% do PIB pela primeira vez desde então.
Em junho, o patamar já batia recorde: 81,9% do PIB era o maior nível desde abril de 2021, segundo o Banco Central na época.
Na série histórica calculada pelo Banco Central, o teto foi em dezembro de 2020, quando a dívida bruta chegou a 87,6% do PIB por causa dos gastos emergenciais do início da pandemia de covid-19.
O piso da série foi em dezembro de 2013, quando a dívida bruta estava em 51,5% do PIB, bem abaixo do nível atual.
Mesmo maior que há um ano, a dívida de hoje ainda está abaixo do teto atingido durante a pandemia.
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), outro indicador acompanhado pelo Banco Central, subiu de 69,1% para 69,3% do PIB em agosto, o equivalente a R$ 9,241 trilhões.
O setor público consolidado, que soma União, estados, municípios e estatais, fechou agosto com déficit de R$ 10 bilhões. Governos regionais e empresas estatais tiveram superávit no período.
Por que existem dois números diferentes para a mesma dívida
O Brasil também calcula a dívida pelo critério do FMI, que soma outras obrigações e chega a um número maior. Em agosto, esse indicador ficou em 94,5% do PIB, ante 95,4% em julho, porque os dois conceitos incluem contas distintas do setor público.
O crescimento do PIB nominal, que ajuda a segurar a alta da dívida, está sob pressão. O Banco Central cortou recentemente sua previsão de crescimento para o país.
O que ainda está em aberto
As fontes consultadas não trazem projeção do Banco Central nem posicionamento da Fazenda sobre os três meses seguidos de alta. Falta saber se a trajetória se mantém ou se o PIB nominal, que tem puxado o indicador para baixo, ganha força.





























