O navio chinês CRCC Bridge Piling No.1, o maior bate-estacas do mundo, zarpou da China no domingo (27) rumo à Bahia. A embarcação, com torre de 156 metros, vai ajudar a construir a Ponte Salvador–Itaparica e deve levar 45 dias até o Brasil.
O navio fixa estacas de aço ou concreto no leito do mar, técnica usada na construção de pontes. É a primeira missão internacional do equipamento. Ele partiu do porto de Lusi, na China, segundo a CNN Brasil, que cita o jornal Global Times.
A Ponte Salvador–Ilha de Itaparica vai ligar a capital baiana à maior ilha marítima do Brasil, cruzando a Baía de Todos os Santos. Com 12,4 quilômetros de extensão, o projeto é apresentado pelo governo da Bahia como a maior ponte da América Latina sobre água.
Em Salvador, o trecho principal se conecta à região do Terminal Marítimo São Joaquim. Em Vera Cruz, liga-se à região da Gameleira, com túneis e viadutos até a Via Expressa.
Quem paga a obra?
A obra é tocada por uma parceria público-privada entre o governo da Bahia e a Concessionária Ponte Salvador–Itaparica (CPSI), formada por dois grupos estatais chineses de engenharia: a China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e a China Communications Construction Company (CCCC).
O investimento total é estimado em R$ 10,6 bilhões, segundo o governo baiano. A etapa de sondagem geológica na Baía de Todos os Santos já consumiu R$ 200 milhões e terminou em março de 2025.
O tamanho do investimento reflete uma presença maior de estatais chinesas em obras de infraestrutura no Brasil. Em agosto, o ministro de Portos e Aeroportos esteve na China para apresentar a investidores chineses a carteira de leilões do governo federal.
O movimento não é isolado. A estatal chinesa SPIC investe R$ 1,4 bilhão para ampliar a hidrelétrica de São Simão, entre Minas Gerais e Goiás.
O modelo de parceria com grupo estrangeiro também aparece em outra megaobra de mobilidade do país. A Santos Brasil propôs alteração no traçado do túnel Santos-Guarujá, projeto em análise no litoral paulista.
O que muda para quem mora na região?
A travessia hoje depende do ferry-boat entre Salvador e Vera Cruz, viagem que pode levar horas em dias de grande movimento. Segundo o governo da Bahia, a nova ligação vai integrar mais de 250 municípios e afetar cerca de 10 milhões de pessoas.
Quem mora dos dois lados da Baía de Todos os Santos ganha uma alternativa fixa à travessia de barco, hoje sujeita a fila e a condições do mar.
O aditivo que fixou o cronograma atual foi assinado em junho de 2025.
O que acontece agora
O CRCC Bridge Piling No.1 deve levar cerca de 45 dias para cruzar do porto de Lusi, na China, até águas próximas a Recife (PE), antes de seguir para a Bahia.
Depois de posicionado, o navio deve iniciar a cravação das estacas que sustentam a estrutura no leito da baía. A conclusão de todo o sistema viário está prevista para junho de 2031, cinco anos após o início da montagem do canteiro de obras.





























