O assessor especial da Presidência para política externa, Celso Amorim, diz que o Brasil apoia cooperar com os EUA contra o crime organizado, mas rejeita aderir ao Escudo das Américas, aliança que sanciona o PCC e o Comando Vermelho como ameaças terroristas.
A aliança foi fechada em 22 de setembro, quando os Estados Unidos e 14 países passaram a tratar 24 organizações, entre elas o PCC e o Comando Vermelho, como ameaças compartilhadas. O texto prevê congelamento de contas e bens de quem apoiar as facções.
O acordo, que a TV Sim já mostrou classificar o PCC e o Comando Vermelho como ameaças terroristas, também alcança o Tren de Aragua venezuelano e cartéis mexicanos como o de Sinaloa.
O México, também sob governo de esquerda, ficou fora pelo mesmo motivo.
Segundo apuração da CNN Brasil, fontes do governo brasileiro temem que os Estados Unidos usem o combate ao crime organizado como justificativa para ações militares em território nacional. Amorim defende cooperação no compartilhamento de informações, sem subordinação ao comando americano.
O que diz o outro lado
O outro lado da disputa é o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que defende a entrada do Brasil na aliança e rejeita o argumento de soberania usado pelo governo. Para ele, países sérios se unem para combater o crime organizado.
Com a falsa narrativa de que está defendendo a soberania, quando qualquer país sério e civilizado do mundo que quer combater organizações terroristas e criminosas se une.
O analista da CNN Pedro Venceslau pondera que o argumento de Bolsonaro é fácil de entender, mas criticado por especialistas em segurança pública. Segundo ele, medida semelhante aprovada pelo Congresso abriria espaço para forças militares dos Estados Unidos em qualquer parte do território brasileiro.
"Seria difícil separar o que é uma ação militar contra o narcotráfico do que é meramente uma ação de interesse do governo americano", disse Venceslau.
Na prática, o Brasil fica de fora dos benefícios da aliança, como o compartilhamento de inteligência. Ainda assim, não escapa da pressão americana. Os Estados Unidos já tratam PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas e podem sancioná-los mesmo sem a adesão brasileira.
O temor de uma ação militar dos Estados Unidos na América Latina já motivou alertas do próprio governo brasileiro sobre a retórica do presidente americano contra os cartéis latino-americanos, que ele chegou a comparar a organizações como o Estado Islâmico.










































