O Supremo Tribunal Federal abriu um inquérito formal para apurar se emendas parlamentares do senador Flávio Bolsonaro geraram contrapartida para o Banco Master em troca do financiamento do filme "Dark Horse", sobre seu pai. A apuração é relatada pelo ministro André Mendonça, depois de a PGR avaliar que havia elementos suficientes para abrir o caso.
O inquérito é um patamar novo. Até aqui, o caso vinha sendo tratado como apuração da Polícia Federal; agora, passa a tramitar formalmente no STF, com um ministro relator.
A origem do caso é um áudio revelado pelo Intercept Brasil em maio, no qual Flávio negocia com o banqueiro Daniel Vorcaro uma contribuição ao filme. O valor inicial discutido foi de R$ 134 milhões; pelo menos R$ 61 milhões acabaram destinados à produção.
Segundo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, Flávio teria ido à casa de Vorcaro buscar "o restante do dinheiro" do financiamento, relato que ajudou a intensificar o foco da investigação.
Procurado, Flávio Bolsonaro nega irregularidade. "Não há absolutamente nada de errado", disse o senador, classificando o repasse como "patrocínio privado, sem nenhuma transferência" para ele próprio.
O que muda se ele for eleito presidente?
Aqui está o ponto pouco explorado até agora. Em março de 2025, o STF decidiu que o foro por prerrogativa de função para crimes cometidos no mandato se mantém mesmo depois de o parlamentar deixar o cargo.
A mesma decisão vale para o chamado "mandato cruzado" (quando um parlamentar investigado é eleito para outro cargo, como a Presidência, sem interrupção do mandato). Na prática, o inquérito não desaparece se Flávio vencer a eleição de outubro.
Vorcaro era o controlador do Banco Master, instituição liquidada depois de uma série de controvérsias. Um perito ouvido no caso já havia admitido que não conseguiu rastrear a origem do dinheiro que teria vindo de Vorcaro.
O ponto em aberto
O inquérito chega no meio da campanha, com pouco tempo de calendário eleitoral pela frente. A pergunta que fica é institucional, não pessoal. Quanto tempo o STF vai levar para julgar um caso que já corre há mais de três meses?


















































