O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Carlos de Almeida Baptista Júnior rebateu neste sábado (29) a acusação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que faz campanha para a reeleição do presidente Lula. Em publicação no X, o brigadeiro chamou a fala de "leviandade" e disse que ela evitou responder à pergunta da sabatina do Jornal Nacional.

"A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la", escreveu Baptista Júnior.

A troca aconteceu depois que o jornalista César Tralli perguntou a Flávio, na sabatina de sexta-feira (28) na Globo, sobre o depoimento em que o brigadeiro relatou risco iminente de golpe de Estado e pressão para que militares aderissem a uma ruptura institucional em 2022.

Flávio classificou o depoimento como informação parcial, por partir de alguém que hoje pede voto para Lula.

"Não é grave, porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para o Lula. Uma pessoa completamente parcial", disse o senador na sabatina.

Baptista Júnior foi comandante da FAB durante o governo Jair Bolsonaro e é testemunha na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele lança em setembro o livro EU DISSE NÃO! Uma trincheira antigolpista.

O brigadeiro sugeriu que a fala de Flávio tenha sido motivada pela publicação: "Se foi uma 'viagem' para dentro do livro que só chegará às livrarias daqui a dez dias, talvez seja prudente aguardar, ler o livro e refletir, antes de outra entrevista."

O que diz o depoimento sobre o risco de golpe

Questionado se mantém a versão de que houve ameaça, o brigadeiro reafirmou o episódio envolvendo o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, que também depôs ao STF sobre a tentativa de golpe.

"Confirmo, sim. O sr. general Freire Gomes é uma pessoa polida, educada. Não falou essa frase com agressividade, mas colocou exatamente isso: 'Se o sr. fizer isso, terei que te prender'", relatou Baptista Júnior.

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Os dois depoimentos, prestados de forma independente, apontam na mesma direção sobre a pressão para uma ruptura institucional ao fim do mandato de Jair Bolsonaro.

Flávio sustentou que o histórico político do brigadeiro invalida o relato: "Depoimento de quem hoje pede voto para Lula não pode ser tratado como verdade absoluta contra Bolsonaro."

Na mesma sabatina, o senador também negou irregularidade no caso do empresário Daniel Vorcaro, em seu primeiro grande teste de TV na campanha.

Bolsonaro e os demais réus da ação penal sobre a tentativa de golpe não foram condenados: o processo segue em curso no STF, e a defesa nega qualquer plano de ruptura institucional.

O que acontece agora

O livro de Baptista Júnior chega às livrarias em setembro, no mesmo mês em que a campanha de Flávio ao Senado ganha ritmo com o horário eleitoral gratuito, iniciado em 28 de agosto.

A ação penal sobre a tentativa de golpe segue tramitando no STF, com o depoimento do brigadeiro já incorporado ao processo.