Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (17) mostra que 73% dos eleitores desaprovam o uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais, enquanto 21% aprovam. O levantamento também mostra que 45% dos entrevistados acham possível a interferência de países estrangeiros nas eleições de 2026, contra 48% que não acreditam nisso.

A Quaest, contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de agosto.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro no TSE é o BR-06773/2026.

O que pensam bolsonaristas e lulistas

A crença em interferência estrangeira varia por grupo político. Entre bolsonaristas, 64% acham possível a interferência e 31% não. Entre lulistas, a maioria pensa o oposto: 60% não acreditam e 33% acreditam.

A pergunta seguinte foi só para quem considera possível a interferência: se ela ajudaria mais candidatos de esquerda ou de direita. A maioria, 57%, respondeu que ajudaria mais a direita, contra 22% que apontaram a esquerda.

Essa percepção muda conforme o grupo político de quem responde. Entre bolsonaristas que veem risco de interferência, 71% dizem que ela beneficiaria a direita. Entre lulistas, o índice cai para 54%, e entre eleitores independentes, para 45%.

Já sobre inteligência artificial, a rejeição é maioria em todos os grupos ouvidos pela Quaest. Mulheres desaprovam mais (78%) do que homens (69%). Por posicionamento político, a desaprovação vai de 69% entre a direita não bolsonarista a 79% entre a esquerda não lulista.

O caso que motivou a pergunta sobre IA

A pergunta sobre inteligência artificial ganha contexto por causa de um episódio de julho: a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) usou, no lançamento da candidatura, um vídeo gerado por IA que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O PT entrou com ação na Justiça Eleitoral contra o vídeo, alegando que a legislação proíbe esse tipo de conteúdo, chamado de deepfake, e que houve propaganda eleitoral antecipada.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agendou uma reunião sobre o uso de IA nas campanhas para esta terça-feira (18).

A legislação eleitoral permite o uso de inteligência artificial nas campanhas, mas exige que o conteúdo gerado por IA seja identificado como tal, com a ferramenta usada informada.

Deepfake é proibido desde as eleições municipais de 2024. A novidade de 2026 é a proibição de conteúdo gerado por IA nas 72 horas antes da eleição e nas 24 horas seguintes à votação.