O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) interrompeu a agenda de campanha nesta terça-feira (1º) para ficar em Brasília e acompanhar as articulações sobre o fim da escala 6x1. A pausa dura só um dia: ele retoma a agenda eleitoral nesta quarta (2), quando viaja ao Rio Grande do Sul.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado analisa nesta quarta-feira a PEC que reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e cria dois dias de descanso remunerado, sem corte salarial. Flávio não vai votar o texto: quando a CCJ se reunir, ele já estará embarcando para a agenda no Sul.
A proposta que Flávio defende no lugar da 6x1
Em vez de fixar uma nova jornada máxima na Constituição, Flávio quer que trabalhador e empregador negociem livremente mais horas trabalhadas em troca de mais remuneração. "Vamos defender o nosso texto, que é a liberdade do trabalhador. Primeiro, vota-se a nossa proposta, depois vê o que faz", disse.
Sobre a ideia, afirmou que o trabalhador "que queira trabalhar mais horas, seja por qual motivo for, também tem a liberdade de poder trabalhar mais". Ele evita, porém, dizer se seu partido vai votar a favor ou contra o texto do relator, o senador Omar Aziz (PSD-AM), que manteve a redução para 40 horas como saiu da Câmara e rejeitou as 12 emendas apresentadas por outros senadores.
Por que a pausa de um dia
Lula transformou o fim da escala 6x1 em bandeira de campanha, e a estratégia de Flávio é evitar parecer contrário a uma mudança com 69% de apoio popular, sem abrir mão de tentar esvaziar a prioridade do adversário. A fatia favorável ao fim da 6x1 está estável: era 69% em julho de 2025, chegou a 72% em dezembro e voltou a 69% em julho deste ano, segundo pesquisa Quaest/Genial. Só 22% se dizem contra.
A mesma pesquisa mostra que 75% dos brasileiros já sabem que a Câmara aprovou o texto e que ele está no Senado, o que reduz o espaço para Flávio ignorar o tema na campanha. Um dia inteiro em Brasília, sem votar, é a forma encontrada para aparecer engajado na discussão sem se comprometer com um lado.
O que acontece agora
Se a CCJ aprovar o texto nesta quarta, ele pode seguir direto ao plenário do Senado. Governistas pressionam para votar no mesmo dia, ainda nesta semana, última de atividade intensa do Congresso antes de os parlamentares reduzirem o ritmo pela proximidade das eleições de outubro. Aliados de Flávio já haviam tentado, desde o fim de agosto, adiar a votação para depois do pleito.


























