O ministro Gilmar Mendes chamou André Mendonça de "um pixuleco, de um boneco eleitoral" nesta terça-feira (15), durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que discute se abre investigação contra Alexandre de Moraes. A troca de acusações interrompeu o julgamento sobre as mensagens entre Moraes e o banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A sessão analisa um relatório da PF com mensagens entre Vorcaro e um número atribuído a Moraes, trocadas antes da prisão do banqueiro. O documento aponta que Moraes editou um contrato de R$ 131 milhões do escritório da esposa dele com o banqueiro.

Moraes chamou o relatório da PF de "nulo e imprestável" em decisão anterior. Ele não vota no próprio caso.

"Quem tem medo da Polícia Federal?", questionou Moraes durante a sessão, ao rebater as acusações de Mendonça. O colega revidou aos gritos: "Mentira!"

Moraes ainda disse que Mendonça "está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe no país", referência que Mendonça contestou de imediato.

Até a máfia tem ética. É preciso ter decência.

A frase é de Gilmar Mendes, em crítica à decisão de Mendonça de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, em 8 de setembro.

Para Gilmar, o afastamento configura uma "atitude covarde, vil".

Mendonça diz ter sido alvo de monitoramento sistemático da PF por mais de 30 dias. Segundo ele, a corporação produziu ao menos seis relatórios de inteligência, entre 3 e 31 de agosto, sobre a atuação dele à frente dos casos Master e INSS.

O ministro Flávio Dino já havia anulado o afastamento determinado por Mendonça antes mesmo desta sessão, o que esvaziou parte do argumento usado hoje no plenário.

Entre os favoráveis à abertura da investigação estão Edson Fachin, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e o próprio Mendonça. Do lado contrário votam Gilmar Mendes, Dino e Cristiano Zanin.

Dias Toffoli está impedido e não deve votar. Com Moraes fora da votação por ser o investigado, o placar pode fechar em 3 a 3 ou 4 a 4, resultado que, na prática, favorece o ministro.

O empate transforma o voto de Cármen Lúcia na peça que decide o caso. Ela tem dito a interlocutores que vai decidir pelos elementos do processo, sem se deixar levar pela pressão dos colegas.

O julgamento começou pela manhã e chegou a ser suspenso após o bate-boca, com retomada prevista para as 15h. Uma segunda etapa do mesmo caso está marcada para o dia 23 de setembro.

O que acontece agora

A sessão retomada às 15h ainda pode ser interrompida de novo, dado o clima entre os ministros. Um empate no placar favorece Moraes, que continuaria na função sem abertura de inquérito por ora.

Se a investigação for aberta, o processo segue sob relatoria a ser definida pela Presidência, que já avocou as apurações do Master e do INSS ligadas à crise. O desgaste já é tema de pesquisas sobre a confiança da população na Corte.