O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Nova York, onde abre na terça-feira (22) o Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, mantendo a tradição de o Brasil discursar primeiro entre os chefes de Estado desde 1955.

Segundo o jornal O Tempo, Lula vai abordar a importância do combate ao crime organizado. Ele deve criticar, sem citar nominalmente Donald Trump ou os Estados Unidos, o Escudo das Américas, iniciativa de segurança regional patrocinada pelo governo americano.

A crítica contrapõe a estratégia brasileira, apoiada na Lei Antifacção e em um pacote de R$ 11 bilhões. É um desdobramento do discurso sobre não interferência que o Itamaraty já antecipava para a mesma sessão da Assembleia.

Por que Lula evita citar Trump diretamente?

Lula discorda da iniciativa americana, mas mantém a polidez diplomática e evita mencionar os Estados Unidos nominalmente no discurso, de acordo com o O Tempo.

A postura segue a linha já adotada: um dia antes de embarcar, ele rebateu a classificação de terrorismo usada pelo governo Trump para as facções criminosas, atribuindo o rótulo apenas ao ataque de 8 de Janeiro de 2023.

O discurso também deve responder a acusações do governo americano sobre supostas falhas do Brasil no combate ao PCC e ao Comando Vermelho, além de tratar da interferência estrangeira nas eleições brasileiras de outubro.

Segundo o Brasil 247, o presidente vai defender o uso da negociação para resolver disputas entre países e o respeito ao princípio de não interferência nos assuntos internos de outros Estados.

O Brasil também vai cobrar mudanças na composição e no funcionamento do Conselho de Segurança da ONU, pauta que o país já cobra há décadas.

O que mais acontece na viagem

Lula chega a Nova York no domingo (20) ao fim da tarde e fica hospedado na residência do embaixador brasileiro Sérgio Danese. Antes do discurso, tem uma reunião com o prefeito socialista da cidade, que já havia pedido o encontro.

Na agenda também está um encontro bilateral com o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante a Semana de Alto Nível. É a última com Guterres no cargo, já que seu segundo mandato termina em 31 de dezembro.

Uma reunião bilateral formal com Trump foi descartada pela equipe brasileira, mas um encontro informal à margem do evento não está fora de cogitação. Lula retorna ao Brasil já na terça-feira, depois do almoço, permanência curta motivada pela campanha eleitoral em curso no país.

O chanceler Mauro Vieira fica a semana inteira em Nova York para reuniões ministeriais com BRICS, G77, G4 e Celac. Outros ministros brasileiros participam de sessões paralelas sobre segurança alimentar, Palestina e povos indígenas.

O que acontece agora

O discurso de Lula está marcado para a manhã de terça-feira (22), no horário em que o Brasil tradicionalmente abre o Debate Geral.

A reunião com Guterres e os encontros ministeriais acontecem ao longo da mesma semana, e o presidente retorna ao Brasil ainda na terça-feira, para retomar a agenda de campanha.