O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) definiu o deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) como responsável por sua pauta econômica, a dias do 1º turno das eleições de 2026. Hauly é economista e já foi secretário da Fazenda do Paraná duas vezes.
Segundo a Folha, a equipe de Cury sondou nomes no Congresso e no mercado financeiro havia semanas. A escolha só saiu à medida que o candidato se consolidou na terceira posição das pesquisas.
Hauly assinou um manifesto em defesa da reforma tributária que a Receita defende manter mesmo sob pressão. Cury promete ajustá-la para evitar "distorções ou prejuízos relevantes" a setores da economia, sem detalhar quais.
Por que a escolha demorou tanto
O ex-deputado federal Júlio Delgado (Avante-MG), candidato a vice na chapa, atribui a demora ao desempenho inicial de Cury nas pesquisas. Nos primeiros levantamentos, o psiquiatra e escritor aparecia com apenas 2% das intenções de voto.
Assumir o núcleo econômico da campanha significaria abrir mão do trabalho no setor privado. Segundo Delgado, os nomes consultados pela equipe não quiseram fazer essa troca.
"Ele está se consolidando como a terceira via. Os nomes que estavam comprometidos com seus espaços [empresas] ficam observando o andar da campanha para ver se vão se licenciar ou não, para tomar à frente da pauta", disse Delgado.
Em outras campanhas de terceira via, o caminho foi diferente. Daniella Marques, Robert Brant e Carlos da Costa se licenciaram de suas atividades no setor privado para assessorar a área econômica.
Eles cuidam, respectivamente, de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Cury optou por outra rota, com ex-integrantes do Ministério da Fazenda e nomes do mercado financeiro como consultores, sem vínculo formal de licenciamento.
Onde Cury aparece nas pesquisas
Cury soma 6% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17). Ele aparece à frente de Zema, Caiado e Renan Santos (Missão).
No mesmo levantamento, Lula (PT) tem 39% e Flávio Bolsonaro (PL) soma 36%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre 15 e 17 de setembro, com margem de erro de dois pontos e 95% de confiança, e está registrada no TSE sob o número BR-04029/2026.
Cury mantém o terceiro lugar desde o fim de agosto, à frente de nomes com estrutura partidária maior. Chegou a marcar 10% em pesquisa Quaest no início de setembro, mas a mobilização em torno da candidatura teria perdido força.
O que acontece agora
Hauly passa a ser a referência pública de Cury para perguntas sobre imposto, gasto público e reforma tributária. É a mesma área em que o presidente do BNDES já rebateu o plano de Cury de dividir o banco em dois.
O calendário eleitoral não deixa margem. Qualquer ajuste na proposta econômica precisa ser comunicado antes da votação do primeiro turno.





























